cotidiano


| ACidadeON/Ribeirao

Seis anos e R$ 20,9 milhões depois, três plataformas paradas em Ribeirão Preto

A Cidade fez levantamento nas contas do PróUrbano e mostra situação das obras dos terminais de ônibus

PLATAFORMA 1- Obra parada na rua Américo Brasiliense,na esquina com a rua Visconde de Inhaúma (foto: Matheus Urenha / A Cidade)


De notas fiscais sem relação com as obras até empresas diferentes contratadas para atuar em pontos vizinhos, a poucos metros de distância, gastando em dobro com vigias. Esse é o resultado do levantamento feito pelo A Cidade junto às prestações de contas do Consórcio PróUrbano das estações e terminais de ônibus construídos na gestão Dárcy Vera.

A reportagem realizou um pente-fino por amostragem nas notas fiscais apresentadas pelo Consórcio, armazenadas em sete caixas e três pastas.

A documentação foi atestada como correta por funcionários do governo Dárcy.  Apesar da gestão Duarte Nogueira (PSDB) ter completado um ano e quatro meses, e em fevereiro do ano passado ter criado uma comissão de funcionários para acompanhar e fiscalizar o contrato de concessão do transporte coletivo, nenhuma medida foi tomada em relação às obras já realizadas.  

No contrato, firmado em 2012, o PróUrbano deveria construir nove estações de ônibus e dois terminais, ao custo, à época, de R$ 23,3 milhões. Quatro delas não foram entregues três sequer começaram e as restantes, segundo o Consórcio, já custaram R$ 20,9 milhões.  

Até agora, a gestão tucana não realizou auditoria nas planilhas. Segundo a assessoria de imprensa, "está em andamento a contratação de consultoria", mas sem prazo informado.  

O governo atual também não conseguiu, ainda, colocar em funcionamento as estações da rua Américo Brasiliense e Visconde de Inhaúma, na praça das Bandeiras, devido a problemas de altura das plataformas por erros no projeto original.  

Em nota, a prefeitura informou que fez gestão junto ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) para liberar a obra de correção da altura, "que deverá começar nos próximos dias, e terá o prazo de seis meses para conclusão".  

Diz, também, que a comissão para acompanhar a concessão "analisou diversos processos que estavam esparsos em diversos setores da Administração Pública" e age para otimizar os prazos.

O Consórcio nega irregularidades e diz que prestou todas as informações de forma transparente.  

PLATAFORMA 2 - Na esquina com a rua Tibiriçá, outra obra parada na rua Américo Brasiliense (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

Obras coladas, planilhas iguais, empresas distintas 

Apenas trinta metros separam os pontos de parada de ônibus localizados na rua Américo Brasilense, colados à Praça das Bandeiras, entre as ruas Visconde de Inhaúma e Tibiriçá. O Consórcio PróUrbano, porém, decidiu contratar empresas distintas para cada um deles.  

As empreiteiras ofereceram as mesmas planilhas de preços, rigorosamente iguais em quantitativos e valores, incluindo centavos e casas decimais, no valor inicial de R$ 949,8 mil cada.  

A Câmara e Griffo Engenharia foi contratada no dia 11 de julho de 2016 para fazer a estação localizada na esquina com a Visconde de Inhaúma. Dois dias depois, o PróUrbano contratou a Cedro Engenharia para construir a plataforma ao lado.  

Cada uma das empresas orçou R$ 45,2 mil para o serviço de "vigia noturno". Ou seja: no papel, consta que as estações, coladas, tiveram seguranças individuais. Foram contabilizados, assim, R$ 90,4 mil para os serviços.  

E mesmo o formato das estações sendo igual, o PróUrbano decidiu contratar, com as empreiteiras, um "projeto executivo de arquitetura" para cada uma, ao custo individual de R$ 35.002,00 .  

Ambas as empreiteiras apontam, nos custos, a necessidade de se retirar quatro antigos pontos de parada de ônibus, por R$ 1,5 mil cada. Entretanto, a estação sob responsabilidade da Cedro tinha três pontos a serem retirados, e não quatro.  

Construtoras divergem 

A Cedro e a Câmara e Griffo divergiram sobre o fato das planilhas serem idênticas. Em entrevista ao A Cidade, Cristovan Griffo, responsável pela empreiteira, alegou que as planilhas foram entregues, prontas, pela prefeitura, com os custos estimados por indicadores oficiais, como a tabela Sinap (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil). "O estudo foi validado por nós pela viabilidade econômica", apontou.  

Já a Cedro, em nota enviada pela assessoria, disse que "baseia seus orçamentos em valores de mercado".
O PróUrbano informou que realizou praticamente oito obras de estações simultâneas, e dividiu entre empresas para "mitigar riscos".  

Sobre as estações da Américo Brasiliense, afirmou que "as duas plataformas são iguais e o Consórcio obrigou que as construtoras utilizassem as planilhas com base no melhor preço".  

Outro lado 

A assessoria de imprensa da prefeitura informa que a Secretaria Municipal de Obras Públicas recebeu do consórcio PróUrbano , nesta sexta-feira (13), o projeto aprovado pela Secretaria de Planejamento e Gestão Pública em relação às adequações necessárias nas plataformas de embarque e desembarque nas ruas Américo Brasiliense (duas delas) e Visconde de Inhaúma. Após a análise da documentação, a Secretaria de Obras emitirá a ordem de serviços.  

Esse projeto de adequação das plataformas da estação Catedral foi desenvolvido conforme as observações feitas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), no ano passado.  

Assim que a ordem de serviço estiver concedida pela Secretaria de Obras os representantes do consórcio PróUrbano se reunirão com técnicos da Transerp, a fim de planejar quais as medidas serão necessárias para não prejudicar o trânsito das ruas próximas às obras (que serão interditadas para o alteamento da estrutura das plataformas). A assinatura para ordem de serviço está prevista para o inicia desta semana.

LEIA TAMBÉM: Empresa que definiu tarifa do transporte público em Ribeirão Preto recebeu dinheiro

Veja também