Mensagem só comprovou as suspeitas da investigação, diz delegado

Após suicídio do acusado de matar e atear fogo no corpo de Fernanda, o inquérito policial foi encerrado; laudo da perícia ainda não foi divulgado

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Júlia Fernandes

Delegado Claúdio Salles Junior (Foto: Júlia Fernandes/ ACidade ON)
 

Para o delegado Cláudio Salles Júnior, do Setor de Homicídio da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Ribeirão Preto, a mensagem via WhatsApp deixada por Otávio Rodrigues Dias da Silva, 36 anos, antes de cometer suicídio apenas comprovou as suspeitas da investigação. O inquérito policial já foi concluído.  

O conteúdo na íntegra, divulgado pelo ACidade ON, consiste na confissão do empresário, que diz ter matado, transportado o corpo e ateado fogo sozinho em Fernanda Delarice no último 29 de março. Parte da ossada foi encontrada na manhã seguinte em um matagal de Jardinópolis.  

No último domingo (13), ele foi encontrado morto com um tiro na cabeça, em um quarto de hotel.  

"No início, cogitou-se que um funcionário teria atuado no crime, mas o próprio Otávio exime a participação dele, que foi ouvido e colaborou com a polícia. Naquele dia, ele teria sido contatado pelo patrão e, ao chegar na casa, se deparou com o corpo da vítima enrolado em um tapete. A partir daí, foi coagido a ajudar, mas desistiu na metade do caminho", afirma.  

Ainda assim, o homem foi indiciado por ocultação de cadáver. Ao receber os documentos, o promotor de Justiça responsável pelo caso deve analisar se a prisão preventiva dele será pedida ou não. Por enquanto, deve responder em liberdade.  

Voz de mulher  

No dia da morte de Fernanda, a mãe dela teria recebido uma mensagem de voz, também via WhatsApp, de uma mulher que não era a vítima.  

Questionado, o delegado desmentiu a hipótese de mais um envolvida. "Neste contato, a Fernanda já estava morta. Acreditamos que, na tentativa de não chamar atenção, o Otávio apenas imitou as falas da publicitária. Não há dúvidas que ele agiu sozinho".  

Se fosse encontrado vivo, o empresário seria acusado de feminicídio. A dinâmica do crime já havia sido revelada por peritos criminais na casa onde o casal morava. Em 13 de abril, provaram que Fernanda foi morta a facadas em cima de uma cama, a partir de uma substancia que identificou manchas de sangue no quarto e banheiro da residência.  

Motivação do crime  

Apesar dos esclarecimentos supostamente escritos por Otávio, o delegado lamenta a forma como a investigação foi encerrada.  

"Nós gostaríamos de saber a motivação do assassinato, mesmo tendo indícios na mensagem que ele estava desgostoso com seus relacionamentos e a vida em si. Acreditamos até que ele voltou a Ribeirão Preto para dar fim à história", diz Cláudio.  

Anteriormente, a Polícia Civil já havia divulgado que o acusado teria fugido para o Nordeste do País, mesmo com a prisão preventiva decretada. Ele era considerado foragido da Justiça.  

O sigilo telefônico foi solicitado para localizá-lo, mas Otávio conseguiu voltar e se hospedar com nome falso em um hotel da Vila Tibério, na zona Oeste. A suspeita é que ele tenha chegado pela rodoviária municipal.  

No último domingo (13), foi encontrado morto no quarto alugado por ele, com um tiro na cabeça e a arma usada sobre o peito. O ocorrência foi registrada como suicídio.  

"Se a cena foi modificada, com certeza a perícia vai identificar isso. Creio eu que não existe a possibilidade de que alguém o matou. A estrutura do hotel pode ter influenciado no fato de ninguém ter escutado o disparo. Mas, vamos aguardar a conclusão do laudo", destaca.


0 Comentário(s)

Seja o primeiro a comentar.