Começa hoje a valer multa contra o Daerp por falta d'água em Ribeirão Preto

Departamento está sujeito à multa diária de R$ 10 mil e proibição de ligações em novos empreendimentos

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Lucas Catanho
Weber Sian / A Cidade
Caminhão-pipa do Daerp

 

Começou a valer hoje a multa contra o Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) por desabastecimento. A autarquia já anunciou que vai recorrer da decisão.

Se houver qualquer ocorrência de falta d’água e o Daerp não providenciar um caminhão-pipa no período de até quatro horas ao munícipe, sem custo adicional, estará sujeito a uma multa no valor de R$ 10 mil ao dia, além da proibição de fazer ligações de água em empreendimentos novos.

“Solicitamos que os cidadãos comuniquem ao Ministério Público ocorrências de falta d’água para podermos executar a multa”, informou a promotora Claudia Habib.

“Antes de procurar o Ministério Público, o cidadão deve fazer contato com o Daerp primeiro e guardar o protocolo de atendimento”, orientou o promotor Ramon Lopes Neto (leia mais no quadro como denunciar).

A aposentada Maria Elena da Silva, 74 anos, comemorou o início da vigência da multa. “Nossa expectativa é boa, agora a gente espera que o Daerp cumpra. Próxima vez que faltar água aqui e não resolverem, vou procurar o Ministério Público”, afirmou.

Maria Elena conta que a falta d’água é crônica no bairro onde mora há 15 anos, Eugênio Lopes (zona Oeste). “Sempre teve esse problema e já perdi as contas de quantas vezes tivemos de tomar banho de canequinha”, afirmou.

Para lidar com o problema, Maria Elena mantém garrafas plásticas e um galãozinho, com água a ser utilizada nos banhos. “Aqui a caixa é pequena e tem sete pessoas”, diz.

O último desabastecimento, segundo ela, foi na quarta-feira passada (3), quando faltou água a tarde inteira. “No dia 1º de janeiro também faltou à tarde e só voltou á noite”, concluiu.

Desabastecimento é crônico
A aposentada Maria Silvia Roque, 65, mora há sete anos no Portal do Alto (zona Oeste) e diz que o desabastecimento é um problema crônico, principalmente em finais de semana.

“Mesmo com o poço que fizeram há dois anos o problema continua. Essa semana faltou água dois dias, terça e quarta-feira, depois de quebrar a bomba do Arlindo Laguna”, relembra.

Maria Silvia tem um galão de água desde que se mudou para o bairro, para usar na descarga e na limpeza do chão.

“Não queremos as mesmas justificativas: queima de bomba, furto de fiação, excesso de consumo. Queremos ter água na torneira”, afirmou. Ela considera a liminar que obriga o Daerp a abastecer os moradores algo “excelente” em benefício dos moradores.

OUTRO LADO

Daerp vai entrar com novo recurso

O Daerp declarou que vai entrar com um novo recurso junto ao desembargador Antônio Tadeu Ottoni, relator do processo no Tribunal de Justiça, para solicitar a suspensão da liminar, mas não informou quando.

“O Daerp já cumpre o que estabelece a liminar e a decisão se baseia em ação movida pelo Ministério Público em 2014, ou seja, os fatos apontados não mais condizem com a realidade vivida no município”, justificou.

Segundo o departamento, a estiagem prolongada, com mais de 120 dias sem chuvas ocorrida entre junho e setembro de 2017, provocou aumento do consumo e acarretou problemas pontuais em alguns bairros, mas que já foram todos solucionados.

“As dificuldades pontuais no abastecimento enfrentadas pela autarquia são ocasionadas, muitas vezes, por furtos de fios, queima de bomba e outros imprevistos, mas que são prontamente resolvidos”, concluiu.
 


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