'Cozinhando' relações de amor

Em casa, pais encaram desafio de mostrar novos sabores aos filhos e ampliar o paladar dos pequenos

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Valeska Mateus

Tempos atrás, a memória afetiva dos pratos da infância era mais relacionada à figura materna. Atualmente, porém, há cada vez mais famílias em que o pai é quem ensina aos filhos o prazer de degustar um bom prato ou cozinhar. Se o papai é chef então... Nesta antevéspera de Dia dos Pais, mostramos dois profissionais da cozinha que também encaram em casa o desafio de mostrar novos sabores a paladares exigentes. Entre ingredientes, panelas e espátulas, suas relações com os filhos se estreitam ainda mais.

Weber Sian / A Cidade
'É divertido ver como eles querem que traga um pouco do profissionalismo em casa. É quase como se quisessem participar um pouco do meu trabalho', diz Rodrigo Francelin sobre Lucca e Laura (Foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Gostinho de brincadeira

Momentos de interação na cozinha temperam a relação do chef Rodrigo Francelin, do Restaurante Athenas, do Stream Palace Hotel, com Lucca, de 4 anos e meio, e Laura, 3. “Cozinhar para eles sempre foi um desafio e um prazer, porque gostaria que comessem de tudo e aceitassem o que tivesse disponível no dia”, conta.

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Francelin sempre dedicou um pouco de sua experiência na gastronomia aos filhos. “Gostava de preparar as papinhas abusando da diversidade de alimentos. Incluía sabores mais amargos e picantes, como agrião e também doces e suaves, como cenoura. Acredito que isso tenha contribuído muito para desenvolver o gosto deles por comidas diversas”, conta.

Para os pequenos, ampliar o paladar ganha um gostinho de brincadeira. Laura, por exemplo, adora quebrar um ovo – é que parece mágica. Já Lucca adora mexer numa panela e moer pimenta direto do moinho. “O que vivemos na cozinha é amor e diversão. Pra eles tudo ainda é descoberta. Ficam fascinados com as transformações e criações. É assim que começam a criar suas próprias memórias gastronômicas e seus favoritos”, diz Francelin e confessa: o mais emocionante é escutar: “Papai, faz pra gente aquela carne com macarrãozinho que parece arroz [risoni] do dia que a gente te ajudou e depois viu um filme?”.

Weber Sian / A Cidade
'Em casa pesa mais o pai, amor, entrega e emoção, mas sempre com a técnica do profissional', diz o chef Alejandro Blanco (Foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Afeto e aprendizado 

Nos finais de semana, o chef Alejandro Blanco, coordenador do Espaço Gourmet RibeirãoShopping, tem um compromisso de pai: dividir a cozinha com o filho, Alejandro Blanco Trivelato, de 3 anos e meio. É um momento ansiosamente esperado pelo pequeno. “Assim temos mais tempo para nos divertir cozinhando.

Com certeza, é um momento de amor, ternura, diversão, alegria, aprendizado e que fortalece nossa relação de pai e filho”, declara Alejandro-pai.

Alejandrinho demonstra no sorriso o prazer de fazer pasta com o pai. Embora ainda pequeno, já tem um paladar variado. “Em nossa visita à Espanha, no mês passado, ele pôde conhecer novas receitas e experimentar pratos do dia-a-dia da minha família. O peixe é algo que comemos muito e ele prefere a qualquer outro prato. Mas também gosta do arroz com feijão brasileiro”, diz o chef.

A cozinha é o lugar predileto de brincar de Alejandrinho. “Ele mexe com a panela, mexe o molho e a massa quando ferve. E quer fazer tudo ele mesmo”, descreve o pai.

Para estimular o filho a experimentar novos ingredientes, o pai fez um trato depois de lerem “juntos” o livro “French Children Don´t Throw Food” [Crianças francesas não jogam comida fora], de Pamela Druckerman: “Ele sempre experimenta o que não conhece e, se não gostar, tudo bem”, conta.


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