Maquiador da região vai disputar o Miss Brasil Gay

Gerald Pizzi supera preconceito e outros obstáculos para brilhar na passarela ? e fora dela também

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    • Júlia Fernandes
Divulgação
Depois de vencer o Miss Brodowski Gay e Miss SP Gay, Gerald/ Barbara se prepara, agora, para o Miss Brasil Gay (Foto: Divulgação)

 

Em pouco mais de três horas, maquiagens, peruca e um salto de 20 centímetros, a transformação de Gerald Pizzi em Barbara Rivera acontece. “É um momento de empoderamento, mas, principalmente, de muita representatividade para o público LGBT”, diz.

E não é para menos. Gerald venceu, em novembro do ano passado, o Miss Brodowski Gay, quando debutou nas passarelas de sua cidade natal e, depois, foi classificado para o Miss Gay SP. Por lá, representou o interior paulista, que marcou presença no concurso pela primeira vez, e levou a faixa para casa. Agora, se prepara – com confiança – para a fase nacional.

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“Vejo isso como uma oportunidade de mostrar a luta de um povo com muita garra e amor, na busca pelos nossos direitos, ideais, respeito e proteção. Para mim, é uma conquista, uma superação. Precisamos mostrar para o mundo quem nós somos e para o que viemos”, afirma.

Falando em superação...

Antes de entrar para o mundo da moda, Gerald superou uma série de obstáculos – os principais, você já sabe: família humilde e homossexualidade assumida. Também era gordinho.
“Sempre fui o cara que transformava as modelos para que pudessem vencer, e isso me fazia feliz. Porém, quando decidi seguir meu sonho, já sabia que o primeiro desafio seria a perda de peso. E eu consegui, pois me tornei o cara que se prepara e também vence concursos”, conta.

De 115 kg no passado, emagreceu mais de 40 kg – 25kg foram perdidos para a eliminatória inicial e, com a classificação em São Paulo, mais 16. “No Miss Brasil, quero estar 3 kg mais magro”, avisa. E destaca: “Tenho parceiros, mas a maquiagem das transformações é toda feita por mim”.

Além disso, entrou recentemente em uma maratona pré-concurso que vai da parte estética ao desenvolvimento intelectual. Segundo Gerald, a lista de exigências para uma boa miss supera o quesito beleza, mas também o comportamento, assuntos políticos, culturais e econômicos.

Barbara

A segunda identidade de Gerald existe há pouco tempo. Barbara foi criada no ano passado, quando participou de seu primeiro concurso, decidiu investir na carreira de modelo e, consequentemente, de transformista.

Para tudo isso, foi necessário muito empenho. “Foi diferente, mas eu me identifiquei. Tenho o apoio da minha família e da minha cidade, que torcem muito por mim. Porém, não é assim que eu vivo. No dia a dia, sou um menino, uso barba, roupas masculinas. A Barbara aparece só em concursos e presenças VIPs”, afirma.

No entanto, a história de Gerald – e Barbara – não é feita apenas de glamour. Já trabalhou com costura e panfletagem antes de se tornar maquiador. Agora, almeja sonhos maiores: com o fim da temporada de concursos, quer se dedicar à vida e aos estudos. Gerald quer se médico e se especializar em cirurgias plásticas.

“Não pretendo viver de tantas transformações – é uma válvula de escape e isso me dá satisfação, mas, na maioria das vezes, não traz retorno financeiro. Aliás, dentro e fora das passarelas, sou muito alegre, extrovertido, brincalhão demais, mas também muito consciente do que quero e preciso. Este será o meu próximo passo”, conclui.
 


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