Força-tarefa vai limpar fábrica de papel desativada na Vila Virgínia

Após 6 meses de reclamação dos moradores e de a Justiça afirmar que a prefeitura tem poder de polícia para atuar no local, limpeza será feita nesta manhã

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Júlia Fernandes

Donos do imóvel decretaram falência em 2016; imóvel está abandonado desde então (Foto: Matheus Urenha/ A Cidade)
 

Após seis meses de reclamação dos moradores, a Prefeitura de Ribeirão Preto anunciou uma força-tarefa para limpar uma fábrica de papel e papelão desativada ná dois anos na Vila Virgínia, zona Oeste da cidade. A ação está marcada para a manhã desta sexta-feira (13). O lixo acumulado deverá ser retirado com uma retroescavadeira (leia o plano de ação abaixo). 

O imóvel, localizado na rua Abílio Sampaio, tornou-se moradia de andarilhos, que invadem o local diariamente e consomem drogas entre as estruturas já danificadas. Os restos de materiais recicláveis e fios de cobre também causam incêndios e espalha uma fumaça tóxica na região.  

"Não dava para continuar como estava. Estamos mais tranquilos sabendo que, enfim, algo será feito. Agradecemos às pessoas que não se calaram para que o governo simplesmente cumpra a sua obrigação", destacou Wanderson Bragança, 34 anos.  

Wanderson é um dos membros de um grupo, criado nas redes sociais, que reúne mais de 300 moradores do entorno incomodados com o então descaso. ACidade ON visitou a fábrica no início do mês e constatou o descaso na região. 

Há lixo acumulado em vários pontos, materiais de construção descartados e, principalmente, sinais da passagem dos desabrigados, como cobertores, roupas, sapatos e tampas de marmitas. Os pequenos focos de incêndio ocupam a extensa área verde da propriedade.  

Decisão judicial  

A força-tarefa das secretarias da Infraestrutura, Meio Ambiente, Saúde (Departamento de Vigilância em Saúde), Casa Civil e Governo, Assistência Social e órgãos como o Daerp, que determinou a medida, foi criada após decisão publicada pela Justiça de Ribeirão. 

No dia 5 de julho, o juiz Cássio Ortega de Andrade indeferiu uma liminar que pedia permissão para que agentes municipais entrassem no prédio.  Em resposta, o magistrado informou que  "a entrada no imóvel para execução de limpeza em cumprimento a legislação sanitária encontra-se, em tese, amparada pelo poder de polícia [da prefeitura]". O prédio é particular.  

Após a decisão judicial, a limpeza foi determinada pelo prefeito em exercício Carlos Cezar Barbosa.  

"A operação vai ser, no primeiro momento, no sentido de estancar esse problema da fumaça, que prejudica os moradores do entorno. Posteriormente, será feito um acompanhamento com essas pessoas que ocupam o lugar e fazem uso de entorpecentes. Da parte da assistência social, vamos oferecer ajuda terapêutica para aqueles que são viciados ou abrigo na Casa de Passagem para os que não tiverem para onde ir", afirmou Barboza.   

Nesta quinta-feira (12), a Administração Municipal ressaltou, ainda, que parte do material da antiga fábrica de papelão está em uma Área de Preservação Ambiental (APP). O córrego Ribeirão Preto passa nos fundos do local e, tanto o material quanto a ocupação irregular constituem crime ambiental.   

O coordenador da Defesa Civil, Renato Catita, que responde também interinamente pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, disse que a ideia é remover o material com uma retroescavadeira. "Após este trabalho de remoção os técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente terão condições de avaliar melhor a viabilidade de destinação ou não para o aterro sanitário", ressaltou.

ACidade ON segue acompanhando o caso.  





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