Licitação suspensa deixa 55 mil alunos sem merenda em Ribeirão Preto

Secretaria da Educação do Estado evitou dar um prazo para resolver problema; pais e alunos reclamam

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    • Lucas Catanho

Mãe de Maria Clara, a dona de casa Camila Corrêa acredita que a Secretaria da Educação do Estado deveria ter se planejado (foto: Weber Sian / A Cidade)

Cerca de 55 mil alunos com idades entre 7 e 17 anos de 70 escolas estaduais dos ensinos fundamental e médio de Ribeirão Preto estão sem merenda desde o início da semana passada.  

O motivo é que a licitação para contratar merendeiras foi suspensa pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), após pontos da concorrência pública serem questionados por uma das empresas concorrentes.  

O contrato com a empresa responsável pela prestação de serviço das merendeiras venceu no dia 9 de março. Uma licitação foi aberta em novembro de 2017 para dar sequência ao serviço, mas uma das empresas interessadas contestou alguns itens da concorrência pública.  

A informação nas escolas passadas aos alunos, segundo apurou a reportagem do A Cidade, é que a regularização somente vai ocorrer no próximo mês.  

A Diretoria de Ensino, no entanto, declarou que abriu uma licitação emergencial para contratar merendeiras e que essa concorrência precisa seguir os trâmites legais, mas não precisou um prazo para que o problema seja resolvido.  

"O pessoal da escola falou que esse mês não vai voltar ainda, só em abril", declarou Maria Clara, 10, aluna do 5º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Sinhá Junqueira, na Vila Tibério (zona Oeste).  

Segundo a estudante, que está na escola desde o primeiro ano do ensino fundamental, essa situação nunca ocorreu antes.
"Sempre teve tudo certinho, o arroz, feijão, macarrão, salada todo dia, eu estava acostumada a almoçar na escola. Agora está bem diferente do que sempre foi: estão dando bolacha e Toddynho", comparou.  

A estudante conta que sua rotina atual mudou: passou a almoçar em casa por conta da falta de alimentos com mais "substância" na escola.  

"Ainda bem que a gente tem condições de fazer um almoço, mas e as crianças que não têm condições de comer em casa?", questionou a dona de casa Camila Maria da Silva Peres Corrêa, 31, mãe de Maria Clara. 

Outro lado 

Nenhum aluno sem alimentação  

A Secretaria da Educação do Estado declarou que nenhum aluno da rede estadual de ensino de Ribeirão Preto está sem alimentação nas escolas. "O processo licitatório para contratação de merendeiras foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado."  

Enquanto isso, segundo a secretaria, a Diretoria Regional de Ensino da cidade deu início a uma licitação emergencial para a contratação dessas profissionais. "A licitação precisa seguir os prazos e trâmites legais, até lá os estudantes continuarão recebendo merenda não manipulada."  

Ainda segundo a secretaria, a alimentação não manipulada conta com um cardápio elaborado por nutricionista e é formado por lanches, frutas, barra de cereais, suco e achocolatado, que são itens que não precisam de cozimento.  

Merenda servida nas escolas 

Como era:
 
- Arroz ou macarrão
- Feijão
- Carne
- Salada 

Como está:
 
- Lanche
- Fruta
- Barra de cereais
- Biscoito
- Achocolatado 

(Fonte: alunos, pais de alunos e A Cidade)
 
Mãe critica falta de planejamento  

Mãe de Maria Clara, a dona de casa Camila Corrêa acredita que a Secretaria da Educação do Estado deveria ter se planejado de maneira que esse tipo de problema não ocorresse.  

"Acho que nesse caso faltou planejamento, não poderia ficar esse buraco até contratarem as merendeiras. Se é um serviço que funciona de determinado jeito há anos, já que minha filha nunca teve problema nesse sentido desde que entrou na escola, tem que manter da mesma maneira, sem parar", pontuou.  

A dona de casa reclama ainda que, no início da semana passada, a escola enviou um bilhete relatando somente que o fornecimento de merenda seria suspenso. "Só isso foi falado, não nos deram mais nenhuma informação", criticou.


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