Zuely Librandi consegue prisão domiciliar para tratar câncer

Um dos pivôs da Sevandija, advogada está presa desde dezembro de 2016 e foi condenada por pagar propina a Dárcy Vera pelo esquema dos honorários advocatícios

    • ACidadeON
    • Cristiano Pavini

 

Zuely Librandi está presa desde dezembro de 2016 (foto: Weber Sian / A Cidade - 02.dez.2016)

A advogada Maria Zuely Librandi, pivô do processo dos honorários advocatícios que levou à condenação da ex-prefeita Dárcy Vera a 18 anos e 9 meses de reclusão, conseguiu nesta segunda-feira (5) autorização judicial para converter sua prisão preventiva em domiciliar para tratamento de câncer de mama.  

Zuely está presa desde 2 dezembro de 2016, quando foi deflagrada a Operação Mamãe Noel da Sevandija. Ela foi condenada a 14 anos e 9 meses de prisão em primeira instância, em sentença publicada em setembro de 2018. As defesas recorreram ao Tribunal de Justiça.  

Segundo o juiz Lúcio Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, a concessão da prisão domiciliar, que recebeu aval do Ministério Público, se justifica por "questão humanitária".  

Aos 69 anos anos, Zuely foi diagnosticada com câncer de mama e, segundo relatório médico juntado ao processo por sua defesa, ela necessita de tratamento incompatível com as grades de Tremembé.  

Exames realizados em setembro apontaram que a advogada possui "carcinoma infiltrativo" e precisa de tratamento em três etapas.  

Inicialmente, será realizada cirurgia para "retirada de toda a glândula mamária e na reconstrução imediata com colocação de expansor anatômico submuscular", de acordo com relatório assinado pelo médico André Girardi Vieira.  

Ele diz que "as complicações desse procedimento podem ser imediatas e tardias" e recomenda que Zuely fique em "local restrito de pessoas e de rápido e fácil atendimento de urgência especializado, se necessário".  

Após a recuperação da cirurgia, Zuely precisará ser submetida a quimioterapia e, posteriormente, a radioterapia.
"As intercorrência, que costumam ser semanais, potencializar-se-ão morbidamente num ambiente prisional tradicional", aponta o médico.  

Por isso, ele diz que o tratamento, que deve durar pelo menos um ano, deve ser feito "longe do sistema carcerário".  

No pedido de concessão da prisão domiciliar, a defesa argumentou, justamente, que deveria ser seguidos "princípios humanitários e da dignidade da pessoa humana".  

O processo
Zuely foi condenada por ter distribuído propina a agentes públicos, como a ex-prefeita Dárcy Vera, para conseguir viabilizar o pagamento de seus honorários advocatícios do processo dos 28%.  

Ela nega as acusações do Ministério Público e diz que tem direito de receber os honorários pelos serviços prestados ao Sindicato dos Servidores.

Um dos símbolos da Sevandija, sua fazenda em Cajuru será tomada e leiloada, caso a sentença seja confirmada em segunda instância. Os recursos serão revertidos aos cofres públicos municipais.


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