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| Jornal A Cidade

Smar teve 2,1 mil 'operações fantasmas'

Documentos obtidos pelo A Cidade mostram que empresa tinha, em média, cinco operações fraudulentas por dia

“Ao menos um crime tributário por mês, sem exceção”. É assim que o Ministério Público Federal (MPF) define as atividades feitas pelos diretores da empresa Smar, de Sertãozinho, desde março de 1984.

De acordo com documentos do MPF obtidos pelo A Cidade, somente entre 29 de fevereiro de 2008 e 31 de março de 2009 a Smar teria realizado 2.136 operações com empresas fantasmas ou de fachada para operar “o esquema de exportação fraudulenta de mercadorias” .

Nesse período, em média, a Smar realizou ao menos cinco supostas operações irregulares por dia.
Conforme o A Cidade revelou na sexta-feira, o MPF apontava a utilização de um esquema de até 300 entidades fantasmas ou de fachada para realizar transações financeiras, importar e exportar produtos e driblar barreiras da Receita Federal.

Local
Novos documentos obtidos mostram que a Receita Federal verificou indícios de 50 empresas fantasmas criadas por um escritório de contabilidade de Ribeirão.

O A Cidade entrou em contato com o contador responsável, que negou ter praticado crimes. “Sequer visitei a sede da Smar. Os representantes vinham aqui e pediam para eu auxiliar, legalmente, na abertura de uma empresa. Dois meses depois, eles pegavam os papeis e sumiam”, afirmou.

Apesar de registradas, as empresas não existiam. A Delegacia da Receita Federal visitou 17 delas, e “não encontrou uma única funcionando nos endereços declarados”, segundo documento do MPF.

Ribeirão também era sede de uma das empresas consideradas cruciais pelo MPF para o esquema fraudulento. Localizada na rua Campos Salles, Vila Seixas, a “SEG-Forte” foi alvo de diligência da Receita em 2009.

A documentação apreendida foi a base para as posteriores investigações do MPF, que resultaram na prisão, na semana passada, de um dos diretores da Smar.

Segundo o MPF, a SEG-Forte permite a Smar ter atuação “aparentemente regular e tranqüila” no “complexo mecanismo fraudulento, notadamente a fabricação e emissão de notas fiscais para acobertar a real sistemática comercial e o real faturamento da empresa Smar”. 

Fraude supera R$ 1,6 bi

Na última segunda-feira, o diretor do conselho administrativo da empresa, Edmundo Rocha Gorini, foi preso pela Polícia Federal, em Ribeirão Preto. Ele era considerado o “procurado número um” da PF regional. 

Outros sete diretores são considerados foragidos e procurados pela Interpol, entre eles Mauro Sponchiado, sócio-fundador da Smar em 1974. Segundo documento do Ministério Público Federal (MPF), ele “está há 38 anos administrando a referida empresa e tem pleno conhecimento de todos delitos praticados”.

“Os sócios da empresa Smar, dentre eles notadamente Mauro Sponchiado, desenvolveram uma política institucionalizada de fraudes fiscais”, diz o MPF. O A Cidade não encontrou o advogado de Mauro. 

A investigação conjunta desenvolvida pela Receita Federal, MPF e Polícia Federal, inicialmente chamada de “Operação Simulacro” e depois de “Califórnia Brasileira”, aponta que a Smar teria débitos decorrentes de fraudes fiscais que, em 2012, somavam R$ 1,6 bilhão. 

 

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