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Novas metodologias de ensino ganham a educação brasileira

Métodos de ensino que colocam o aluno como protagonista no processo de aprendizagem já começam a surgir no Brasil

Matheus Urenha / A Cidade
Peter Gamwell, educador e escritor (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)
 
 

O mundo tem se transformado em alta velocidade e, muitas vezes, o sistema de educação tradicional não consegue acompanhá-lo. Neste contexto, algumas instituições têm proposto formas de aprendizado diferenciadas e processos de inovação no ensino, com o objetivo de engajar e preparar o jovem para o futuro.

Nestas novas metodologias de ensino e aprendizagem, os alunos atuam como protagonistas de sua própria formação, desenvolvendo suas competências e habilidades. 

Para o educador e escritor Peter Gamwell autor do livro O Muro das Maravilhas (The Wonder Wall) -, nesta era de complexidade, é mais do que imprescindível promover culturas de aprendizado que incentivem e desencadeiem as habilidades, curiosidades e interesses únicos nos alunos.

"Trabalhei na área de educação por 40 anos e uma das coisas que sempre me preocupou é que o nosso sistema educacional é focado em línguas [português] e em matemática. As disciplinas são importantes, não entenda mal", diz. "Mas, se a criança ou jovem não for tão bom nestas áreas, ao invés de lhes dar o espaço para crescer e encontrar no que são boas e as permitir crescer através da própria criatividade pessoal, tendemos a bombardeá-las com os mesmos tópicos, e isso as coloca em um deslocamento para baixo, mental e emocional", reforça.

Com isso, segundo Gamwell, os alunos começam a acreditar que não são tão bons. "Existem casos em que pensam que são estúpidas e isso é imperdoável, é prejudicial", frisa.

Por isso, ele garante que é preciso encontrar novos meios de progredir e fazer as coisas. "Senão, quando forem se formar, muitas dessas crianças, não terão a menor ideia do brilho, da inteligência que possuem", afirma. "Pensando nisso, o que trago no livro de uma maneira muito gentil é que precisamos virar o sistema educacional de cabeça para baixo, em que a personalização da educação é algo vital", completa.

Assim, de acordo com Gamwell, será possível mostrar que todos brilham e que possuem pontos fortes. "Quando alguém tem paixão e interesse genuíno por alguma coisa chega-se a um estado de fluidez e engajamento no que estão fazendo", comenta. "Cada criança tem algo que é importante e temos que criar um ambiente que a estimule. Assim, façamos o possível para que coisas extraordinárias aconteçam", conclui.

 

Tendência global

Os grandes países têm apontado que há mudanças acontecendo no sistema educacional, não só no conceito como na forma de fazer. 

"Quando a gente vê referências mundiais em educação transportando esse discurso do conteúdo, que é importante e sempre será, agregado com competências e habilidades, e introduções de novas metodologias - que permitem que o aluno se engaje -, isso demonstra claramente uma tendência educacional muito forte e que não regredirá", afirma Thamila Zaher, diretora-executiva do Grupo SEB.

Isso porque, segundo ela, para esta nova geração não será possível fazer apenas com os métodos tradicionais. "Eles serão usados, como sempre foram, mas não como uma forma única. Novos formatos serão agregados para trabalhar com o máximo potencial dos alunos", garante.

Por isso, Peter Gamwell reforça que a criatividade está em cada pessoa e isso é único. "Como sabemos disso? Isso se chama DNA. É isso que nos dá singularidade", diz. "E quando se consegue aproveitar toda essa criatividade tem-se a chance de mudar a sociedade", finaliza.

 

Metodologia Concept

Na noite desta segunda-feira (30), em Ribeirão Preto, um evento reuniu cerca de cem pessoas para apresentar a metodologia Concept e contou com a palestra do educador e escritor Peter Gamwell. 

"A metodologia Concept parte do protagonismo do aluno, ou seja, o atende como partícipe do processo de ensino e aprendizagem, trabalhando com quatro eixos: sustentabilidade, colaboração, empreendedorismo e fluência digital", explica a diretora-executiva do Grupo SEB Thamila Zaher.

Segundo ela, estes quatro eixos entram na escola de forma transversal e intrínseca, amarrando os conteúdos, habilidades e as competências de uma forma única. 

"O conteúdo está lá, isso não muda, mas a forma de fazer isso através dos projetos, das oficinas e do modo de aprendizagem, é única. Além disso, amparado pela neurociência, garante um aprendizado mais efetivo, pois fica na memória de longo prazo do aluno", diz.

Para Mônica de Azevedo Nogueira, diretora da Concept Ribeirão, os jovens de hoje são conectados a tudo o que acontece no mundo. 

"Então, como podem ficar confortáveis com uma educação que não os escuta, onde não podem participar? Esse processo de ensino e aprendizagem que a Concept apresenta, é o que vai acontecer para todas as escolas no futuro, pois coloca o estudante para refletir e estabelecer conexões entre as coisas que está aprendendo e com o que está acontecendo no mundo", diz.

E, ao participar ativamente, o aluno consegue criar conexões e entra em um processo de autoconhecimento muito mais intenso. "Isso porque, na medida em que o aluno tem a possibilidade para expressar sua opinião e sabe que isto é levado em consideração, para pensar colaborativamente com os colegas, entra em um autoconhecimento e sai muito mais fortalecido, o que favorece sua autonomia, dando espaço para que ele crie e empreenda em sua vida, dentro daquilo que ele sabe e tem consciência de que é capaz e tem facilidade para fazer", encerra.