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Perto de completar 115 anos, Biblioteca Padre Euclides pede socorro

Local foi o principal centro formador da intelectualidade de Ribeirão Preto no início do século e permanece até hoje como fonte de conhecimento

Valor incalculável: Acervo da Biblioteca Padre Euclides, que possui atualmente mais de 18 mil títulos disponíveis à população: dificuldades financeiras ameaçam sua manutenção (foto: Weber Sian / A Cidade)
 

A menos de um mês de completar 115 anos, a Biblioteca Padre Euclides pode fechar as portas. O local, que foi o principal centro formador da intelectualidade de Ribeirão Preto, no início do século, pede socorro.  

Com uma dívida de curto prazo de R$ 30 mil, a biblioteca sobrevive hoje praticamente do trabalho voluntário de um grupo de admiradores da instituição e a única funcionária também não é remunerada.  

"Nós sabemos que as bibliotecas, em geral, têm problemas financeiros, mas é doloroso constatar que a Padre Euclides, instituição que, mesmo sendo privada, tem uma participação importante e consistente na história de Ribeirão Preto, sobreviva por etapas e com trabalho voluntário", afirmou Fatu Antunes, integrante do conselho de gestão da entidade.  

Segundo ela, cerca de R$ 100 mil por ano seriam suficientes para fazer com que a biblioteca volte a respirar e contribuir de forma mais efetiva como espaço de formação cultural e cidadã da cidade.  

Para tentar sobreviver, a biblioteca recorre a diversos expedientes para arrecadar fundos: feirinha de livros, como a realizada na semana passada, um Nhoque da Fortuna (jantar beneficente ocorrerá em 29 de maio) e, finalmente, uma campanha de angariação de fundos on-line, pelo site Vakinha.  

Atualmente, a renda da biblioteca vem de duas principais fontes: a anuidade de R$ 150 e a renda que vem do aluguel de oito salas comerciais do edifício Padre Euclides, onde a instituição está instalada. Só cinco delas estão alugadas.
No balanço do que a biblioteca arrecada com os sócios, as salas e as despesas operacionais, o saldo fica no vermelho e chega-se aos R$ 30 mil negativos na conta corrente da entidade.

Empresariado  

Emergencialmente, a biblioteca recorre a diversos expedientes para arrecadar fundos: feirinha de livros com excedentes do acervo, um Nhoque da Fortuna (jantar beneficente no dia 29 de maio) e, finalmente, uma campanha de angariação de fundos on-line, pelo site Vakinha.  

Mas, segundo Fatu, o que pode mesmo estabilizar a situação financeira da biblioteca é a participação mais efetiva do empresariado local. A instituição tem apresentado um projeto de cooperação financeira a várias empresas e também está desenvolvendo outro para ser apresentado ao ProAC-Programa de Ação Cultural estadual. " O ProAC tem a vantagem da renúncia fiscal para as empresas que apoiam financeiramente o projeto por meio do ICMS, mas o projeto de cooperação financeira tem a seu favor uma ampla contrapartida" completa Fatu.  

Fatu Antunes: Voluntária e integrante do conselho gestor da bilbioteca (foto: Weber Sian / A Cidade)

História  

A Bilbioteca Padre Euclides foi fundada em 3 de maio de 1903, pela Associação dos Catequistas Voluntários, por meio de iniciativa do Padre Euclides Gomes Carneiro (1879-1945). O estatuto original previa "fundar, quando possível, um museu e uma biblioteca". O acervo inicial foi doado pelo próprio padre Euclides. O prédio original, na esquina das ruas São Sebastião e Visconde de Inhaúma, foi derrubado para, em 1965, ser erguido o edifício Padre Euclides, onde a biblioteca está instalada até hoje. 

Projetos

A VOZ DO LIVRO
(março a dezembro)
Voluntários lêem clássicos da literatura para portadores de deficiência visual.

SÁBADO SÓ LETRAS
(abril a dezembro)
Bate-papo mensal de um escritor local com o público.

GABARITANDO NA LEITURA
(abril a outubro)
Análise mediada de obras de leitura obrigatória para o vestibulando.

MUDANDO A HISTÓRIA (abril a dezembro)
Mediação de leitura para crianças de 3 a 10 anos, com a participação dos pais, para estimular o gosto pela literatura desde a infância.

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