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Cantora e compositora ribeirão-pretana lança novo disco

Fluída como nunca: é como Verônica Ferriani se traduz no novo álbum, "Aquário", composto por 12 faixas autorais

"Sou uma artista independente brasileira. Trabalho com bastante liberdade, o que é maravilhoso, e também à base de muita crença em nossa cultura", diz Verônica Ferriani, cantora e compositora (foto: Ivan Silva / divulgação)

A cantora e compositora ribeirão-pretana Verônica Ferriani lança hoje, em plataformas musicais, seu mais novo disco, "Aquário", que considera "o mais fluído" entre seus cinco álbuns. Ela diz ter saído da narrativa confessional feminina de seu último trabalho, "Porque a boca fala aquilo do que o coração tá cheio" para abordar mistérios existenciais, fé, identificação em grupos, pertencimento e simultaneidade.  

Compondo desde 2017, a artista conta que o nome "Aquário" surgiu enquanto refletia sobre a sociedade e sua busca por ambientes controlados e condições ideais de temperatura e pressão para viver, o que acaba por padronizar ou automatizar várias formas de agir e pensar.  

"Aquário tem dois elementos que me interessam muito como metáfora. Água e vidro são transparentes, mas têm propriedades essenciais muito diferentes: um adquire forma definida e o outro se molda ao recipiente, mas será sempre fluído", explica Verônica.  

O disco tem participações do músico Manoel Cordeiro, do sanfoneiro Mestrinho, do flautista Teco Cardoso e do baixista Marcelo Cabral, com coprodução de Diogo Strausz.  

As 12 faixas autorais retratam diversos temas, entre eles o "tribunal implacável" escondido por trás de perfis nas redes sociais e uma possível afetividade entre seres humanos e robôs.  

As letras são no plural e narradas em terceira ou segunda pessoa. "O pronome eu não aparece em Aquário, diferentemente de meu disco anterior, Porque A Boca Fala Aquilo Do Que O Coração Tá Cheio, que é altamente confessional e feminino.  

Agora, o desejo é enxergar o outro e ser uma bandeira pelo diálogo, pelo respeito à diferença, que é condição da própria natureza. Este disco é um abraço... é um auto abraço diante do incompreensível", conclui.  

Inspiração própria  

Nascida em Ribeirão e formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP em 2002, Verônica sempre teve como influência musical seus pais, que se conheceram adolescentes e tocando violão. Profissionalmente, começou a cantar aos 25 anos, convidada pelo compositor Chico Saraiva, em sua banda. Em seguida, convites de Beth Carvalho e Moacyr Luz a iniciaram no samba raiz.  

Atualmente, Verônica flerta com diversos gêneros. "Minha inspiração musical parte de toda a geração da MPB e do jazz antigo e passa agora pela minha geração de músicos independentes. Todos os dias procuro ouvir ao menos um disco diferente de artista que eu não conheça", conta.  

Para ela, o momento atual trouxe coragem a sua criação. "Diante de um país que valoriza com dificuldades sua própria cultura e de um público muito exposto a padrões americanos de sonoridade, tenho acreditado cada vez mais na importância de trazer personalidade artística ao que faço", afirma. 

"Sigo sempre meu trabalho de intérprete, viajando e tocando em parcerias, mas não abro mão dessa liberdade na criação", conclui. (Bruna Zanatto, sob supervisão de Silvia Pereira)

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