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Menino de Ribeirão é aceito em Escola do Teatro Bolshoi

Enzo Jordy da Silva, de 10 anos, passou por seletiva em Joinville (SC) em outubro e agora se mudará com a mãe em janeiro de 2019 para seguir sonho

Foi uma ligação de celular em um ônibus de Joinville (SC) para Ribeirão Preto que fez com que a vida de Enzo Jordy da Silva, de 10 anos, e de sua mãe, Thaís Elisabete da Silva, desse uma pirueta.

"Estávamos voltando para Ribeirão após a seletiva quando a Vanessa [professora de balé] me ligou e perguntou se eu estava preparada para arrumar as malas, pois o Enzo tinha passado na Bolshoi", relembra a mãe, entre sorrisos contidos.

O resultado foi divulgado na noite de 21 de outubro, logo após dois longos dias de seletiva para ambos. "O primeiro dia foi das 15h30 às 19h e o segundo das 7h às 12h30. Eu tentei transmitir calma para ele, mas enquanto o esperava do lado de fora da sala estava roendo as unhas de tão nervosa", confessa a mãe.

Foram 12 horas de lágrimas, risadas, ansiedade, calma e parabéns de outros passageiros do ônibus até Ribeirão, cidade em que o menino mora, estuda balé e participou da pré-seletiva para entrar na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.

Agora que Enzo terminou seu primeiro oito* (veja explicação abaixo) com o resultado, o novo estudante da Bolshoi terá que contar 5, 6, 7, 8* com a mudança de cidade. Para ele, a ficha ainda não caiu, mas ele sabe que essa é uma dor boa*. "Só lá [que vai cair a ficha]. Estou triste e com medo, mas também feliz e orgulhoso". Já o que não pode faltar na mala do estudante? "Meu diário. Vou levar na escola para todos assinarem para levar um pedaço dela comigo", afirma o estudante do 3º ano do Ensino Fundamental.

Já a família de Enzo terá que ficar um pouco fora da música* por alguns meses enquanto eles quebram as sapatilhas* na nova cidade. "Meu marido vai ficar em Ribeirão e eu vou com o Enzo e o Yago, que tem 6 anos, para lá. A gente faz tudo pelo filho".

Thais matriculou o filho há três anos na Casa das Mangueiras para conseguir trabalhar meio período como doméstica em casa de família. "Minha mãe [avó do Enzo] sempre falou para eu colocar ele no balé, mas eu dizia que não, não e não. Mas depois que ele foi descoberto pela professora Vanessa e apareceu esta oportunidade, não parou mais", diz mãe.

Mas antes de arrumar as malas, a família terá um último marco em Ribeirão Preto. No dia 13, Enzo irá literalmente marcar o palco* novamente no Theatro Pedro II, desta vez como um personagem de A Bela Adormecida. "Minha primeira apresentação foi do Rei Leão no Theatro Pedro II, onde eu fui o Simba. Gostei muito, foi emocionante!", comenta, o jovem bailarino.

A apresentação será um ensaio geral* de uma história que começou em Ribeirão com preconceito e termina com aceitação. "Teve um pouco de preconceito na família, até do meu marido. Mas depois que viu que era o que ele queria, ele aceitou. Agora a família inteira vai assistir a apresentação. Será uma despedida".  

E pode acreditar que, em Ribeirão, todos irão lhe desejar nada além de merda*.  



Casa das Mangueiras

Na Casa das Mangueiras também teve comemoração após a aprovação de Enzo na Bolshoi. "Foi uma satisfação muito bacana. É sinal que a gente pode identificar talentos não só no trabalho das 87 crianças, mas também por que não despertar talentos aqui que vão transcender alguns horizontes?", afirma Carlos Eduardo Veiga Soares, coordenador de Relações Institucionais.

Desde 1973, a instituição atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e acumula histórias de vitória. "Temos um aluno que virou empresário, com loja em shopping, outro que virou chef em um buffet, advogado. São várias histórias", comenta, com orgulho.

Sobrevivendo de doações, sócios contribuintes e parcerias, Carlos afirma que a maior dificuldade da instituição é a folha de pagamento. Os interessados em ajudar a Casa das Mangueiras pode saber mais pela página de Facebook da instituição ou pelo telefone (16) 3622-2141.  

Quem quiser ajudar a família ou patrocinar a viagem de Enzo, pode falar com a mãe dele pelo telefone (16) 99240-6107.

*Se você não entendeu ou não conhece algum dos termos usados na reportagem, confira abaixo um mini-dicionário: 

Dor boa - Ao se alongar ou até mesmo durante exercícios, os bailarinos costumam sentir a "dor boa", que significa que o alongamento e os exercícios realmente estão sendo feitos.

Fora da música - Quando os bailarinos estão fora do ritmo.

Quebrar a sapatilha - As sapatilhas costumam ser compradas novas e duras, então elas são aos poucos "quebradas" para se adequar ao formato do pé do dono. 

Marcar palco -  Momento em que o espetáculo é transferido para o palco. Os bailarinos conseguem conhecer o palco, os lugares, marcar entradas e saídas, etc. 

Ensaio geral - O último ou últimos ensaios antes de uma apresentação. Costuma unir todos os envolvidos do espetáculo.

Oito - O compasso da música é contado por bailarinas de oito em oito tempos.

5, 6, 7 e 8 - É como um 1, 2, 3 e já. Como as bailarinas contam de 8 em 8 tempos, quando dizem "5, 6, 7 e 8" é um indicativo que a música e/ou a dança vai começar.

Merda - Ao invés de desejar boa sorte, que pode trazer azar, os bailarinos se desejam merda antes de uma apresentação.   

Fonte: Mundo Bailarinístico

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