Waldyr Villela completa 6 meses afastado e recebendo da Câmara

Parlamentar do PSD já embolsou R$ 82,8 mil desde que foi afastado no dia 11 de agosto de 2017; denuncia será encaminhada em breve para a Justiça de Ribeirão Preto

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    • Marcelo Fontes

 

 

 

Waldyr Villela (PSD) já embolsou R$ 82,8 mil desde que foi afastado no dia 11 de agosto de 2017 (Foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

 

 

 

O afastamento de Waldyr Villela (PSD) da Câmara de Ribeirão Preto completa seis meses neste domingo (11). São 184 dias sem colocar os pés no Legislativo. Mas a situação não afetou o bolso do político, já que ele não deixou de receber os R$ 13.800 por mês - subsídio pago a todos os vereadores.  

Isso porque a Justiça afastou Villela, mas não suspendeu os pagamentos. A única possibilidade de não pagar subsídio seria a cassação do mandato, mas o Conselho de Ética da Câmara absolveu o parlamentar em outubro.  

O inquérito que a Polícia Civil e o Gaeco têm contra Villela está em sigilo, mas A Cidade apurou que a investigação está em fase de conclusão e logo a denúncia deve ser remetida para a Justiça de Ribeirão Preto.  

Villela é investigado por exercício irregular da profissão (é dentista e estaria atuando como médico), uso de documento falso, peculato e corrupção passiva e ativa.  

De acordo com o advogado Regis Galino, que defende Villela, o político tem intenção de retornar à Câmara assim que conseguir reverter o afastamento na Justiça.  

O caso  

No dia 25 de julho de 2017, a reportagem do A Cidade esteve no ambulatório de Waldyr Villela, se passando por paciente com enxaqueca e vômitos. Ele prontamente ofereceu uma amostra grátis de um medicamento chamado Listo, para os vômitos, e receitou outra medicação - Amato 25 mg - para a dor de cabeça. Antes de a reportagem deixar a sala improvisada de consultas, ainda foi oferecida uma injeção de anticoncepcional.  

Ainda ficou constatado que Villela usava o carro oficial da Câmara para ir até o ambulatório e que funcionários comissionados da Câmara ajudavam no atendimento.  

Uma semana depois da publicação da reportagem, a Polícia Civil e o Gaeco cumpriram mandados de busca e apreensão no ambulatório, no gabinete e na casa do político.  

Villela acabou afastado pela Justiça e o suplente Dadinho (PTB) assumiu a vaga dele na Câmara. 

Para os laboratórios  

A Polícia Civil informou na sexta-feira (9) que as mais de 10 mil caixas de medicamentos apreendidas no consultório de Villela estão sendo devolvidas aos respectivos laboratórios. Mesmo sendo dentista, Villela receitava medicamentos para vários problemas de saúde.  

Defesa aguarda julgamento de recurso no Supremo

O advogado Regis Galino, que defende Villela, informou que aguarda julgamento de Habeas Corpus que está no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o político possa voltar para a Câmara. Na última aparição pública, em 13 de setembro de 2017, Villela estava com a saúde debilitada - tem 81 anos. Mas Regis garante que ele, atualmente, está melhor. "Ele está bem e aguardando a possibilidade de comprovar que não cometeu nada de errado", disse o advogado. "Ele também lamenta muito que a população da região que ele atendia (no ambulatório) esteja desassistida desde que os atendimentos pararam (o local foi lacrado pela Vigilância Sanitária)", acrescentou o advogado. Regis também disse achar normal o vereador ter que aguardar mais de seis meses para o final do inquérito. "É um procedimento comum. Nós estamos aguardando a apuração", finalizou Regis.


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