Operação faz um ano e busca bens ocultados por acusados

Edson e Romanelli afirmaram não descartar que existe dinheiro escondido em constas no exterior

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    • Cristiano Pavini

 Weber Sian / A Cidade

Edson e Romanelli afirmaram não descartar que existe dinheiro escondido em constas no exterior, principalmente offshores em paraísos fiscais. (Foto: Weber Sian/ A Cidade)

 

O promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), Leonardo Romanelli e o delegado-chefe da Polícia Federal, Edson Souza, afirmam: “não há dúvidas” de que há mais dinheiro para a Operação Sevandija descobrir, além dos R$ 33 milhões bloqueados em contas bancárias com os 34 denunciados no maior esquema de corrupção da história ribeirão-pretana.

Hoje, a Sevandija completa um ano. Na última quinta-feira (31), em visita ao A Cidade, Edson e Romanelli afirmaram não descartar que existe dinheiro escondido em constas no exterior, principalmente offshores em paraísos fiscais.

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“Sempre há essa possibilidade. E contamos com o apoio da população para nos ajudar a rastrear. Tenho certeza de que dezenas de pessoas sabem de algo. Se soubéssemos onde os recursos estão, já teríamos tentado repatriar esses valores. Mas as denúncias são muito esparsas, nada sólido”, afirma Romanelli.

Acusado de receber ao menos R$ 1 milhão de propina no Daerp e mais R$ 2 milhões dos honorários advocatícios, Marco Antonio, por exemplo, tinha apenas R$ 20,8 mil nas contas. Quando foi preso, ele guardava R$ 47,8 mil em dinheiro vivo – R$ 40 mil escondidos em uma casa de máquinas da piscina.

Edson diz que a investigação sobre ocultação de bens “segue perene”. ”Offshores são sempre uma possibilidade, mas existem novos modos para a ocultação”, explica.

Sobre eventual pedido de cooperação com órgãos internacionais para rastreamento dos valores, eles afirmam que, antes, é necessário ter indícios sólidos de que há valores em contas no exterior.

Além do dinheiro, também estão bloqueados 68 imóveis e 66 veículos, muitos deles de luxo.

População

Edson diz que o apoio da sociedade foi “muito importante” e serviu, inclusive, como “recompensa e motivação” para os integrantes da Operação Sevandija.

“O brasileiro está cansado da corrupção, de pagar por serviços ruins... está exaurido. E sempre que há uma operação para fiscalizar o erário e agentes públicos, há uma satisfação para a sociedade. Foi um processo libertário para a sociedade de Ribeirão Preto”, diz Edson.

Romanelli diz que a Sevandija deixa, como um dos legados, “o reforço da credibilidade dos órgãos de investigação e controle, como Gaeco e PF, junto à população”. E reforça: estão abertos para mais denúncias.

Mais investigações

Romanelli diz que o Gaeco investiga a farra do RTI (Regime de Tempo Integral). O benefício, revelado ano passado pelo A Cidade com base em documentos apreendidos pela Sevandija, dobrava o salário de comissionados de vereadores – a suspeita é que os parlamentares abocanhavam parte da quantia.  


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