Baleia Rossi fala da crise em Brasília, de Sevandija e garante recurso do aeroporto

No primeiro mandato de deputado federal, Baleia Rossi concedeu entrevista exclusiva ao A Cidade

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    • Marcelo Fontes
F. L Piton 12.SET.2014
Baleia Rossi (Foto: F. L Piton 12.SET.2014)

 

O líder do PMDB chamou de ‘dream time’ a equipe econômica do governo Temer e falou como é atuar à frente da maior bancada da Câmara.

A CIDADE - Como tem sido o dia a dia em Brasília depois da crise envolvendo o presidente Michel Temer?

Baleia Rossi - O noticiário retrata uma realidade pior do que a vida real. O governo está funcionando. Na equipe econômica, temos um “dream team” que conseguiu, em muito pouco tempo, reverter o caos herdado do governo anterior. Todos os sinais da economia são positivos. Isso é o que vai fazer a diferença na vida das pessoas, e não a espuma das discussões políticas. No que se relaciona diretamente ao presidente, encerramos o semestre com uma vitória importante na Comissão de Constituição e Justiça: 41 dos 66 deputados da comissão concordaram que não há provas para denunciar o presidente da República. Foi uma denúncia precipitada, sem provas de que um centavo sequer tenha chegado às mãos dele.

Você acredita que o presidente Temer vai seguir no cargo até 31 de dezembro de 2018?

Todos sabemos que uma troca de governo agora será ruim para o País. Conseguimos superar o pior da crise. Em vez de inflação, vamos ter deflação. Isso significa que a população não só parou de perder poder de compra como recuperou alguma coisa em relação ao passado. A indústria começou a reagir. O crescimento ainda é baixo, mas pelo menos o PIB será positivo, ao contrário dos últimos dois nos do governo anterior. Nosso desafio é diminuir o desemprego, que ainda está alto, mas também já deu mostras que está melhorando. Por tudo isso acho que o presidente merece e vai continuar até o fim.

Qual a chance de você ser candidato a vice-governador de São Paulo em uma composição do PMDB como outro partido em 2018?

Sou o presidente do PMDB, a segunda maior força no Estado de São Paulo. Nosso projeto é apoiar a candidatura do Paulo Skaf, que tem liderado todas as pesquisas. Eu pretendo disputar a reeleição como deputado federal.
Em uma eleição para presidente com Lula, Bolsonaro, Marina Silva e Geraldo Alckmin, em quem você votaria?
No que depender de mim, vou trabalhar para que o PMDB tenha um candidato próprio.

Você tinha conhecimento que seu pai, Wagner Rossi, tinha prestado consultoria para o Joesley Batista?

Sim, inclusive porque meu pai avisava a família quando fazia viagens para o exterior a trabalho pela empresa. Como ex-ministro da Agricultura e após cumprir quarentena, meu pai prestou colaboração remunerada ao grupo J&F. No mesmo período, o atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, era presidente do conselho do grupo. Pratini Moraes, ministro da Agricultura no governo FHC, também trabalhou para a JBS.

Qual o seu relacionamento com Cássio Chebabi, ex-presidente da Coaf?

Em 2010, ele fez campanha para o PMDB em Bebedouro. Usaram isso para tentar me prejudicar. Não conseguiram porque o próprio Chebabi disse à Justiça que eu não participei de esquema nenhum. E ele tem obrigação de dizer a verdade à Justiça, senão perde os benefícios da colaboração premiada.

Falando da Operação Sevandija, causa preocupação o fato do seu nome aparecer em algumas planilhas de doação de campanha e de apadrinhamento político?

Estou tranquilo. O PMDB tinha a vaga de vice-prefeito, então era natural que filiados do partido trabalhassem no governo. Quando foi deflagrada em setembro, a Operação Sevandija apreendeu milhares de documentos e interceptou centenas de conversas telefônicas. Nada apareceu contra mim. Aí, após o suicídio de Plastino, vazaram uma carta e uma planilha. Na carta escrita de próprio punho, não há menção a mim. Já na planilha, há referência a supostas doações. Acho isso muito estranho. Nem a Polícia Federal dá certeza sobre a autoria da planilha, que teria sido feita num computador. No relatório da PF, os investigadores usam o termo “supostamente produzida”, indicando essa dúvida. Defendo que isso seja esclarecido, o que nenhuma autoridade fez até agora. De minha parte, afirmo que não recebi nenhuma doação legal nem ilegal de Plastino.

Como está sendo a experiência de ser deputado federal? Qual a maior dificuldade?

É bem diferente da experiência de ser deputado estadual. Somos muito mais visados em Brasília e há uma agenda muito pesada. Estou no primeiro mandato, mas já sou líder do PMDB, o maior partido da Câmara Federal. Esse posto me demanda muito, pois preciso intermediar a relação do governo com os 63 deputados da bancada do PMDB. Ao mesmo tempo, ser líder me dá muito acesso ao governo para trazer recursos para Ribeirão. Nesse mandato, conseguimos mais de R$ 14 milhões para projetos e programas para a cidade. Esses recursos foram encaminhados para obras da prefeitura e também para financiamento de entidades como a Santa Casa e obras sociais, como Lar Padre Euclides, Apae, Cantinho do Céu, entre outras. Nossa maior conquista foi conseguir reverter a decisão do governo sobre o aeroporto da cidade. Num primeiro momento, quando houve corte de despesas por causa da crise, o governo retirou as obras do aeroporto da lista de prioridades. Atendendo um pedido meu, presidente da República recolocou o aeroporto na lista prioridades. Com isso, os R$ 85 milhões já estão garantidos no orçamento deste ano.

O que está achando da administração de Duarte Nogueira na Prefeitura de Ribeirão Preto? Como é o seu relacionamento com o Nogueira?

Por causa da crise econômica, todos os prefeitos tiveram problemas de arrecadação. Isso dificulta a realização de projetos em meio a muitas cobranças. Tenho feito o possível para colaborar com o prefeito. Avalio que temos uma boa relação. Apesar de sermos de partidos diferentes, todos temos de trabalhar por Ribeirão Preto.

 


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