Defesa compara Dárcy com senadora do PT e pede anulação da Sevandija

Segundo advogada, ex-prefeita foi alvo de delação premiada mentirosa e realizada de maneira ilegal

    • ACidadeON
    • Cristiano Pavini

 

Presa: Ex-prefeita de Ribeirão Preto está presa desde maio de 2017 (foto: Weber Sian / A Cidade - 19.mai.2017)

Na argumentação final do processo dos honorários advocatícios, a defesa de Dárcy Vera pediu a anulação da Operação Sevandija, atacou a delação premiada de Wagner Rodrigues e comparou a situação da ex-prefeita com a da senadora Gleisi Hoffmann (PT), absolvida há duas semanas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).  


Protocolado na noite desta segunda-feira (2), a documentação, de 129 páginas, afirma que Dárcy é inocente.  

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) a acusa de ter acordado R$ 7 milhões em propina para que a prefeitura pagasse, mensalmente, os honorários advocatícios de Zuely Librandi. Ambas estão presas em Tremembé.  


Segundo a advogada Claudia Seixas, a delação de Wagner foi feita perante o Gaeco e homologada pela 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto em outubro de 2016.  


Entretanto, como Dárcy era prefeita à época e detinha foro privilegiado, a defesa argumenta que a delação deveria ter sido feita também perante a Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) e validada pelo Tribunal de Justiça.  

"A delação de autoridade com prerrogativa de foro atrai a competência do Tribunal competente para a respectiva homologação e, em consequência, do órgão do Ministério Público que atua perante a Corte", argumentou a defesa.  

Procurado pelo ACidade ON, o promotor do Gaeco Frederico Mellone Camargo ressaltou que "todas as medidas de respeito ao foro foram tomadas", que as informações relacionadas a ex-prefeita foram remetidas à Procuradoria Geral de Justiça e que "em momento algum" ela foi investigada por autoridade sem o foro competente.  
 
Ataque
Além disso, a advogada voltou a atacar o mérito da delação, afirmando que Wagner Rodrigues mentiu.  

"Além da lista apócrifa da propina e da fala mentirosa e desencontrada do delator, não há nada de concreto nos autos que possa demonstrar, sem quaisquer dúvidas, que Dárcy da Silva Vera participou de qualquer empreitada criminosa", afirma a advogada.  

Ela alegou, também, que Dárcy não tem patrimônio condizente com o recebimento de R$ 7 milhões de propina e que seus dois imóveis, um deles financiado e com prestações atrasadas, foram adquiridos antes dos honorários de Zuely serem pagos.  

A defesa pediu que o juiz Lúcio Ferreira, da 4ª Vara Criminal, julgue o processo de maneira "imparcial", não sendo influenciado pelo "escárnio público e midiático que a ré vem sofrendo diariamente".  

Cita, nesse contexto, a recente absolvição da senadora Gleisi. "O STF, de forma imparcial e sem dar atenção (como é de rigor) ao clamor público e a comoção social, entendeu que delações contraditórias, e cujas informações não são corroboradas por outras provas, não podem servir como provas aptas para uma condenação e absolveu nada mais, nada menos, que a atual Presidente do Partido dos Trabalhadores".  

Apesar de ter 129 páginas, o documento cita em apenas uma linha os empréstimo que Dárcy obteve de Zuely, conforme ambas alegaram em interrogatório. O montante, no valor de R$ 100 mil, teria sido entregue em dinheiro vivo no Palácio do Planalto.  

Leia reportagem completa na edição desta quarta-feira (4) do jornal A Cidade.


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