Após quebrar sigilo de Temer, Barroso 'foge' da imprensa em Ribeirão Preto

Agendada havia dois dias, coletiva durou apenas três minutos; 'há um tempo de falar e um tempo de calar', justificou

    • Jornal A Cidade
    • Cristiano Pavini


Ministro Luiz Roberto Barroso evitou falar com a imprensa

Em meio à polêmica pela quebra do sigilo bancário do presidente Michel Temer (MDB), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso fugiu de uma coletiva de imprensa em Ribeirão Preto na tarde desta sexta-feira (9). A entrevista com jornalistas, viabilizada pelo portal de notícias jurídicas Migalhas, estava agendada havia dois dias.  

Marcada para às 14h30, Barroso chegou 55 atrasado. Ele falou por apenas três minutos e nem chegou a sentar.  A previsão era que a coletiva durasse meia hora.

"Está lá no Eclesiastes (livro da Bíblia): há um tempo de falar e um tempo de calar. E os assuntos que interessam a vocês [jornalistas] são os assuntos que eu não posso falar. Eu nunca falo de política. Vocês nunca vão saber se gosto mais de um partido ou de outro, de um candidato ou de outro", disse ao chegar à entrevista.  

Questionado pelo ACidade ON sobre o debate em torno de "fake news" (notícias falsas) e se há necessidade de mudança na legislação para coibi-las, Barroso disse que o tema deveria ser perguntado ao ministro Luiz Fux, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).  

Apesar de remeter a questão para Fux, Barroso foi empossado como ministro titular do TSE na quarta-feira passada (28).
Antes de deixar a sala de imprensa, ele foi perguntado se cogitava se candidatar nas eleições de 2018, inclusive ao Palácio do Planalto.  

"Sobre isso eu falo. Queria dizer da forma mais taxativa possível: não passa pela minha cabeça nenhuma postulação política, nenhuma candidatura. Cumpro a missão que a vida me deu que é ser ministro do STF. Se me deixasse morder pela mosca azul, desautorizaria tudo o que faço", afirmou.  

Pela manhã, barroso foi a Franca ministrar uma palestra na Faculdade de Direito. À tarde, ele participaria de evento na Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto).

Polêmica
Na segunda-feira (5), a imprensa divulgou que Barroso autorizou o pedido de quebra do sigilo bancário de Michel Temer a pedido da Polícia Federal. O ministro é o relator do inquérito que apura o suposto pagamento de propina na edição, por Temer, de um decreto sobre o setor de portos.  

Depois, Barroso alegou que a defesa de Temer havia obtido, por meio de vazamento, o número do inquérito, que é sigiloso. Advogados do presidente, porém, justificam que a informação estava disponível no site do STF.


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