Entenda o esquema ilícito que poderia causar prejuízo de R$ 100 milhões

Ação da Polícia Civil e do Ministério Público prendeu três advogados em Ribeirão Preto

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    • Cristiano Pavini
Weber Sian / A Cidade
Policiais apreenderam documentos e computadores nos escritórios dos investigados (foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Investigação conjunta do Ministério Público e Polícia Civil desmantelou ontem uma quadrilha de Ribeirão Preto com nove integrantes que aplicava fraudes processuais. Cinco pessoas - sendo três advogados - foram presas e duas estão foragidas. A estimativa é que, se continuassem atuando, os criminosos poderiam causar prejuízo superior a R$ 100 milhões.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e a quebra de sigilo bancário de todos os acusados. Até o fechamento desta edição, o advogado Gustavo Caropreso e Ruy Rodrigues Neto estavam foragidos.

As investigações começaram há dois anos, após juízes do Fórum de Ribeirão Preto encaminharem ofícios à Polícia Civil alertando que um mesmo grupo de advogados utilizava modus operandi suspeito em ações de reposição de perdas financeiras pelas mudanças nos planos econômicos das décadas de 80 e 90.

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Os advogados utilizavam documentos de vítimas para ingressar com até 22 ações em nome de cada uma delas, sem que soubessen. Em caso de vitória, segundo o MP, o grupo ficaria com o dinheiro. Para dificultar a descoberta da fraude, eles pediam que a tramitação ocorresse sob segredo de Justiça.

Depois, MP e Polícia Civil verificaram que o grupo também oferecia serviço de “limpeza do nome” de devedores com o objetivo de utilizar seus dados, sem a ciência das vítimas, para ingressar com ações judiciais por danos morais.

No ano passado, policiais civis já haviam feito operação de busca e apreensão em um dos escritórios do grupo, com apreensão de documentos.

A operação recebeu o nome Têmis (considerada a deus da Justiça na mitologia grega) e foi deflagrada às 6h da manhã de ontem. Foram apreendidos documentos e computadores suficientes para preencher uma sala de 20 m².

Os integrantes são investigados por estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, violação de sigilo bancário e obstrução.

Grupo moveu 53,3 mil ações 

Pente-fino realizado pelo Ministério Público localizou 53.390 ações movidas pelo grupo apenas no Fórum de Ribeirão Preto. Segundo as contas do promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, coordenador das investigações pelo MP, no final do ano passado havia cerca de 128 mil processos em tramitação nas dez varas civeis de do município.

“Pelo menos cinco Varas estão [proporcionalmente] trabalhando exclusivamente para atender as demandas propostas de forma fraudenta pelos investigados advogados, auxiliados pelos demais integrantes da organização criminosa”, afirma o promotor no pedido de prisão dos integrantes.

Não havia restrições para a atuação dos advogados: segundo Aroldo, até pessoas que à época das mudanças nos planos econômicos tinham apenas dois anos acabaram tendo os documentos utilizados para o ingresso de ações. “O Poder Judiciário está abarrotado e ‘travado’ de ações fraudulentas iniciadas pelos investigados e seu grupo criminoso, que buscam unicamente o dinheiro fácil”, diz o promotor.

 Acusados negam a prática de crimes

Renato Vidal e Klaus Lodoli, presos na operação, negaram a prática de crimes. “O MP poderá verificar que não houve qualquer irregularidade”, afirmou Vidal. Klaus disse que o escritório de advocacia não tinha relação com a Associação Limpe Seu Nome.

O advogado deles e de Gustavo Caropreso e Angelo Feijó afirmou que não teve acesso, ontem, ao processo, e que Gustavo se apresentaria hoje à Justiça. A reportagem não conseguiu localizar os representantes dos demais acusados. Nenhum deles foi, até o momento, denunciado por crimes e tampouco condenado .

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Arte / A Cidade

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