Acusado de integrar grupo de extermínio pega mais 48 anos de cadeia

Ricardo Guimarães foi condenado nesta terça-feira pela morte de dois ex-policiais; com isso já soma 120 de prisão

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Rita Magalhães

 

Matheus Urenha / A Cidade
Ricardo José Guimarães foi condenado (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

O ex-investigador Ricardo José Guimarães, acusado de integrar um grupo de extermínio em Ribeirão Preto, foi condenado pelo 5º Tribunal do Júri da Capital nesta terça-feira (5), à pena de 48 anos de prisão pelos assassinatos e ocultação de cadáveres de dois ex-policiais civis, ocorridos em julho de 2005 no Uruguai.

Com esse segundo julgamento popular em cinco meses, Guimarães, que integrou um grupo de elite na Polícia Civil de Ribeirão Preto nos anos 1990, já soma a pena de 120 anos de prisão. O ex-investigador ainda enfrentará no próximo ano julgamento popular por mais um dos 12 homicídios de que é acusado.
No último mês de julho, Guimarães já havia sido condenado à pena de 72 anos de prisão mortes dos adolescentes Enoch de Oliveira Moura, 18 anos, e Anderson Luís de Souza, 15, ocorridas em maio de 1996.

Julgamento

No julgamento desta terça-feira, os jurados se convenceram da tese da acusação e condenaram Guimarães pelos assassinatos dos ex-policiais civis do Rio Grande do Sul Ronaldo Almeida Silva e Leonel Jesus Ilha da Silva.

Segundo a acusação, Guimarães foi contratado para matar a dupla pelo empresário uruguaio Joaquim Curi Lara, patrão das vítimas, que prestavam serviços de escolta e segurança a cargas de produtos ilegais do Paraguai para o Brasil.

O crime teria sido encomendado pelo empresário que desconfiava que Ronaldo e Leonel estivessem por trás da apreensão de um de seus caminhões repletos de mercadoria pela polícia brasileira.

No dia da morte, as vítimas foram atraídas até o local do crime com promessa de que receberiam pagamento dos serviços prestados a Joaquim. Na oportunidade, Guimarães entregou R$ 1 mil a cada um e, enquanto eles contavam o dinheiro, o ex-investigador disparou vários tiros contra suas cabeças. Depois, com a ajuda de terceiros, enterrou os corpos à beira de um motel.

O juiz Adilson Paukoski Simoni, presidente do Júri, aplicou a pena de sendo 22 anos e 6 meses por cada homicídio e um ano e meio por cada ocultação de cadáver.

Outro lado – policial nega crimes

Interrogado em juízo durante a instrução do processo, Guimarães chegou a admitir, que trabalhava para Joaquim na época dos fatos fiscalizando os produtos transportados, mas negou participação nas mortes.

Ele confirmou, no entanto, que foi chamado para a reunião em que os ex-policiais foram assassinados, mas alegou que quando chegou lá, os dois já estavam mortos. Disse também que foi obrigado por terceiros a ajudar na remoção e ocultação dos corpos. A alegação, no entanto, não convenceu os sete jurados.

ACidade ON ligou para o celular do advogado César Augusto Moreira, defensor de Guimarães, mas ele não atendeu as ligações para se manifestar sobre a condenação e a pena aplicada ao réu.

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