Gaeco de Ribeirão Preto se inspira em Moro para defender prisão de acusados

Trechos de decisões do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato foram usados em documento anexado ao processo

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    • Cristiano Pavini
Matheus Urenha / A Cidade
Gaeco deflagrou a Operação Sevandija em Ribeirão Preto (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Ribeirão Preto utilizou trechos de decisões do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato para defender a prisão dos acusados na Operação Sevandija, por terem promovido a “corrupção sistêmica” na prefeitura.

“Embora a prisão cautelar seja um remédio amargo, é melhor do que a contaminação da democracia pela corrupção sistêmica. Em um determinado nível, a corrupção coloca em risco a própria qualidade de democracia”, afirma o magistrado de Curitiba em um dos trechos utilizados pelo Gaeco.

As citações a Sérgio Moro estão em documento de 56 páginas protocolado na tarde desta quarta-feira (17) no processo eletrônico dos crimes envolvendo os R$ 69,9 milhões de honorários advocatícios de Zuely Librandi. Nele, os promotores rebatem os argumentos das defesas dos acusados de que toda a investigação deveria ser anulada.

Segundo os promotores, os envolvidos no esquema dos honorários deveriam ser presos “pela presença de um sistema corrupto dentro da Prefeitura de Ribeirão Preto que tende a se perpetuar”, “por haver um saldo de propina a pagar de corruptores para corruptos” e “por pertencerem eles à associação criminosa que se dedicava à prática de crimes contra a administração, inclusive havendo fortes evidências de lavagem de capitais para ultimar a divisão dos valores”.

São réus nesse processo Zuely Librandi, Sandro Rovani, Marco Antonio dos Santos, Wagner Rodrigues e André Hentz.

A ex-prefeita Dárcy Vera (PSD), presa nesta sexta-feira (19) e acusada de participar deste esquema, ainda não faz parte do processo em primeira instância – quando a operação Mamãe Noel foi deflagrada, em 2 de dezembro, ela tinha foro privilegiado e seu caso tramitou no Tribunal de Justiça (TJ). Sua documentação, porém, já foi remetida para Ribeirão Preto.

Um dos motivos da prisão dos envolvidos foi o fato de, dos R$ 45 milhões que Zuely recebeu dos honorários, apenas R$ 1,8 milhão foram bloqueados em suas contas bancárias.

O Gaeco, novamente, lembra de Sérgio Moro. “Enquanto não houver rastreamento do dinheiro e identificação de sua localização atual, há um risco de dissipação do produto do crime, o que inviabilizará a sua recuperação”.

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