Justiça de Araraquara condena 'chefe' regional de facção a 20 anos de prisão; mais 8 são sentenciados

Acusado já tinha condenações por tráfico, organização criminosa e está sendo investigado em outros crimes

    • ACidadeON/Araraquara
    • Claudio Dias
ACidade ON - Araraquara
Acusado quando foi preso em operação da DIG, em julho do ano passado.


A facção criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC) costuma fazer suas divisões territoriais seguindo o DDD da telefonia. Araraquara integra a área 016 e justamente o homem que seria apontado como um dos chefes regionais da quadrilha – incluindo a região de São Carlos e Ribeirão Preto - foi condenado hoje a mais de 20 anos de prisão. Ele, que já estava sentenciado por outro crime, foi preso em julho do ano passado por policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) depois de 14 horas de buscas e 30 dias de monitoramento.

Com segurança reforçada, a audiência foi transferida da sala para o salão do Júri do Fórum de Araraquara. Os depoimentos começara logo pela manhã e só terminaram na noite desta quinta-feira. A Justiça entendeu que César da Silva Luiz de Souza, o Naninho, que está preso na Penitenciária de Lavínia, tinha participação direta com a facção e também com a venda de drogas. Ele negou. Mesmo assim foi condenado a 20 anos, sete meses e 15 dias por organização criminosa e associação ao tráfico. A mulher dele foi condenada a três anos e seis meses de prisão pelo crime de associação.

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Celulares e R$ 15 mil estavam com o 'chefe' quando foi preso.

Outros comparsas também foram considerados culpados pela 3ª Vara Criminal de Araraquara. Dois companheiros – ambos de Araraquara - pegaram 15 e 16 anos de reclusão. A mulher de um deles foi condenada a nove anos, quatro meses e 15 dias de prisão. Outros dois irmãos tiveram a mesma condenação de nove anos. Fechando a lista dos réus condenados, segundo o ACidadeON apurou com exclusividade, mais dois homens – também irmãos - cumprirão pena de cinco anos. Os advogados de defesa irão recorrer da decisão.

Naninho foi preso no ano passado, mas era investigado pela polícia desde 2011. Sempre negou ter qualquer envolvimento com a facção criminosa. E para encontra-lo foram várias as tentativas. Antes de ser detido conseguiu fugir por três vezes. Tudo isso no ano passado. Em Jacutinga, Minas Gerais, e em Guaiçara, cidade próxima a Lins, ele fugiu e deixou carros para trás. Em um sítio no Distrito do Taquaral, em Rincão, ele escapou pelo rio. Quando foi preso no ano passado, em Itápolis, ele usava um documento falso dele, celulares e carregava R$ 15 mil.

Em liberdade desde 2010, o homem apontado como uma liderança regional da facção responde na Justiça por outro caso de organização criminosa. Ele chegou a ser detido na megaoperação realizada pela DIG, em 20 de dezembro de 2011. Na ocasião, 22 pessoas foram presas por envolvimento com a facção. Naninho acabou liberado. O detento também era suspeito da morte do sargento Adriano Simões, 36, assassinado em 15 de setembro de 2012.

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Naninho já tinha sido condenado por envolvimento em 'tabuleiro' do crime.

Ele também foi condenado duas vezes por tráfico de drogas. Em fevereiro de 2013, cerca de 12 quilos de maconha e cocaína estavam na região do Vale do Sol. Ele fugiu, mas foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão. Depois, em junho do mesmo ano outro flagrante em que ele escapou. Por esse caso, foi condenado a 12 anos e seis meses de prisão. Contra ele já havia mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Naninho também foi condenado no ano passado a 12 anos, cinco meses e 20 dias, além de 1.088 dias multa pelos crimes de organização criminosa e associação ao tráfico. Ele teria participado, em fevereiro de 2015, do ‘tabuleiro’, uma espécie de tribunal em que integrantes da facção decidiam sobre a vida ou a morte de um membro envolvido em um roubo contra outro membro da organização no Jardim Biagioni.
 


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