Antes de se suicidar, empresário confessa ter matado publicitária

Em mensagem de WhatsApp enviada a amigos, Otávio Rodrigues reclama que nunca teve amor e que só amou quatro coisas na vida, o cão Alex foi uma delas

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Rita Magalhães

 

Foto de Otávio e Fernanda está no inquérito que apura o crime

Antes de se suicidar, o empresário Otávio Rodrigues Dias da Silva enviou uma mensagem via WhatsApp a amigos confessando a autoria do homicídio da mulher, a publicitária Fernanda Delarice, cujo corpo foi encontrado carbonizado num canavial de Jardinópolis no dia 31 de março, um dia após seu desaparecimento.  

Na mensagem, ele assume que foi ele quem matou e ateou fogo no corpo da mulher. Diz que fez tudo sozinho, sem ajuda de amigos. "Minhas considerações finais, primeiro R.L.P. somente dirigiu o carro até a estrada. Quem matou e pôs fogo em Fernanda Delarice fui somente eu Otávio Rodrigo Dias da Silva."  

Segundo o delegado Cláudio Salles Júnior, do Setor de Homicídios da DIG, R.L.P. já foi indiciado pelo crime de ocultação de cadáver. Segundo ele, o inquérito está sendo concluído e encaminhado ao Ministério Público que deverá decidir se pede ou não a prisão do acusado.  

Ainda na mensagem enviada aos amigos, Otávio evita se fazer de vítima - "não vou ficar aqui fazendo de bonzinho" -, mas reclama que nunca teve carinho e amor de ninguém. "As únicas pessoas que passaram perto disso foi a senhora A.N.S., o o parceiro e irmão Carlos Eduardo, vulgo Du".  

Leia a seguir a mensagem que o empresário enviou aos amigos antes de se matar com um tiro de pistola Ponto 45.  

"Bom vamos começar do começo. Só quero que vocês não se lembrem desse monstro que se foi e sim da pessoa que sempre fui.  

Não vou ficar aqui fazendo de bonzinho o que eu nunca fui, somente nunca tive reconhecimento, carinho e amor de ninguém. As únicas pessoas que passaram perto disso foi a senhora Andreia N.S., o meu parceiro e irmão Carlos Eduardo, vulgo Du, Geraldo B., meu mentor de coisas boas, que eu não ouvi nessa vida. Talvez se tivesse escutado pelo menos 5 % do que ele me falava talvez teria sido feliz e (recebido) um pouco de amor do meu querido D.A.S.  

Sempre fui uma pessoa difícil e controladora, querendo que as pessoas quisessem o que eu queria. Agora tenho certeza de que estava errado, mas não tem mais volta o que tá feito tá feito.  

Tive quatro amores descomunais em minha vida ao longo desses 36 anos: Alex (o cachorro) Veloz (a empresa de entrega), São Paulo FC (time) e o mais destrutivo, o poder. Isso subiu muito à minha cabeça. Me fez ser bom e ao mesmo tempo muito ruim.  

Vou falar um pouco sobre amores.
Alex, o cachorro - Vou ser bem sincero. Não gostava de cachorros, principalmente desses de madame. Mas, um dia jogando bola na quadra do Adauto, vi que ele mexia com venda de pets e meu relacionamento com Andreia não andava tão bem e resolvi comprar esse merdinha. Foi amor à primeira vista. Quando eu vi aquela bolinha de pelo com as orelhas com esparadrapo, meu coração não aguentou. Quis dar ele (como um pedido) de desculpas por alguns erros para Andreia.  

A vida seguiu. Ei e Andreia nos separamos ela com dó de me deixar sozinho e também por sua mãe não querer. Fiquei eu e esse merdinha, num apê de dois quartos. Dois solteiros prontos para aprontar (risos). Esse merdinha era minha vida. Ia para a Veloz, shopping, academia, passear nas casas das mulheres, até em motel ele nadou em banheira. Por isso um amor tão grande, um parceiro que não sei como está sendo tratado, como está de saúde, está sem mim. Porque eu sem ele fui um nada.  

Veloz, a empresa - Essa empresa começou com a M. M.. Foi a maior empresa de entregas de Ribeirão Preto. Na sua administração é muito bem vista, mas sempre com argumentos de ser mal pagadora. Em 2006 comecei a trabalhar lá por meio período, na parte da tarde, e ao longo de mais ou menos dois anos assumi a empresa no lugar de M. que já não dava mais conta de tocar o negócio.  

Fevereiro de 2008 foi o começo do meu amor e de minha total dedicação à essa empresa. Foi minha vida até os dias atuais, acabei com dois casamentos, acabei com meu nome e mais nomes de pessoas: R., A., W.i, L., A. e, por fim o único que não me abandonou e sempre foi meu parceiro, D..  

A todos vocês, eu peço um milhão de desculpas por meus erros administrativos e também por não conseguir reaver nossos melhores momentos comos o de 2011/2012 quando a VELOZ voltou a ser a melhor empresa de entregas de Ribeirão e região.  

São Paulo FC - Nem preciso falar do meu amor por esse time. Fui muito feliz, tive várias e várias alegrias e poucas tristezas. Sou muito grato de ter passado uns dos meus melhores momento da minha vida com meu amigo Du quando fomos campeões da libertadores no Morumbi. E um momento muito especial também quando fomos num jogo, Du, D. Doido e eu. Foi a última vez no Morumbi. Muito bom esses momentos.

O poder - O poder, cara, não sei explicar. Depois de a empresa entrar nos eixos, em 2010, fiz uma redução do estômago e emagreci mais ou menos 90 quilos. A empresa começou a ter crédito bancário é muitas coisas começaram a mudar. De um trabalhador comum e gordo, comecei na verdade a ser empresário e, com a ajuda do Geraldo, comecei a ser um pouco bonitinho e minha carteira também começou a ser bonita. Aí, sem falso moralismo, me perdi totalmente.  

Mulheres, bebidas, noites de farra sem comprometimento com a Veloz. Conheci várias pessoas que não somaram nada na minha vida e também pessoas que não eram tão certas. Comecei a fazer muitas coisas erradas para manter meu padrão de vida. Errei muitas vezes é também caí e me levantei. Caí novamente e não consegui me levantar.  

O poder foi diminuindo, mas eu sempre querendo ser o maioral, meu erro. A bebida entrou de vez em mim. Eu bebo o dia todo, todos os dias. E virei isso que vocês presenciaram. Peço desculpas às pessoas que decepcionei.   

Família afirma que não teve mais contato com Fernanda Aparecida Delarice desde o dia 30 de março


Morte de Fernanda - Por fim, que (deixar) minhas considerações finais. Primeiro, R. L. somente dirigiu o carro até a estrada. Quem matou e pôs fogo em Fernanda Delarice fui somente eu, Otávio Rodrigo Dias da Silva.  

Que a empresa Vexlog Logística nunca foi minha e, sim, de David Augusto e Aline Aparecida. Eu fui o mentor, mas a empresa de fato é deles como todas as motos e o carro que está no nome de Fernanda Delarice por que eu usava o nome de ambos.   Uma moto PSX que comprei e dei para Fernanda Delarice não faço tanta questão porque está no nome da mãe dela. 

As coisas de dentro da minha casa, fora os objetos pessoais de Fernanda ela só tinha comprado um fogão e uma churrasqueira. O restante ela nunca comprou nada, seu dinheiro era só dela. Ela pagava somente a CPFL e a água, o restante era somente para salão de beleza, manicure, roupas, sapatos e estética.
Só quero que quem estou mandando esta (mensagem) tome providências sobre isso.
Outra coisa, pegue o Alex e deixe com a Karla, mulher do Du, por favor.  

Meu celular que está comigo foi comprado com dinheiro da Veloz, então é da Veloz. O dinheiro que também está no meu bolso, por volta de R$ 300,00 é para comprar Budweiser no meu velório. (Não quero) ninguém chorando. (Ele lista o nome de 17 pessoas) Quem eu não lembrei não é importante para mim. Então, não chore por mim.  

Só pra terminar, Rafaela , muito obrigado por você estar dando essa força para o David e desculpa por ter atrapalhado alguma coisa no sonho de vocês casarem. Origado a todos por terem lido até o final."  

Otávio Rodrigo Dias da Silva.

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