Aluno de 12 anos é levado ao NAI por chutar professor em Ribeirão Preto

Confusão começou após estudante ter sido repreendido na Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves, nos Campos Elíseos, zona Norte

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Da reportagem



Direção da Escola Dom Alberto José Gonçalves levou caso ao conhecimento da polícia (Foto: Reprodução)
 

Um estudante de 12 anos foi detido pela Polícia Militar e depois encaminhado ao NAI (Núcleo de Atendimento Integrado) sob a acusação de agredir com chute um professor na tarde desta segunda-feira (12), na Escola Estadual Dom Alberto José Gonçalves, nos Campos Elíseos, zona Norte de Ribeirão Preto.  

Vale lembrar que o NAI é um espaço destinado à contenção provisória de adolescentes infratores acusados de crimes graves como roubo, tráfico e homicídio. O estudante ficaria neste espaço até passar por audiência com o juizado da Vara da Infância e Juventude na manhã desta terça-feira (13).  

O desentendimento entre o aluno e o professor de matemática, de 37 anos, teria começado na sala de aula, após uma repreensão do docente ao perceber que o garoto estaria com uma cadeira nas mãos e pronto para arremessa-la contra outro estudante no corredor.  

O professor contou à Polícia Civil que ao chamar a atenção e solicitar que o adolescente deixasse a sala, ele o teria ofendido verbalmente e que somente saiu do local na presença de um inspetor.  

A escola declarou ter solicitado a presença da mãe do adolescente, mas que ela não compareceu e autorizou que o filho fosse liberado para voltar para casa.  

Segundo a versão da escola, ao final da aula, por volta de 18h, o adolescente teria retornado até a sala onde estava o professor, quando ocorreu a agressão.  

O docente teria sido atingido com um chute na perna direita na presença de uma professora e uma funcionária da limpeza. O adolescente também teria ofendido a vice-diretora.  

Palhaçada  

O pai do aluno declarou que vê um exagero por parte da escola, apesar de não concordar com a atitude do filho.  "É uma palhaçada tudo o que ocorreu. O que ele [o filho] fez está errado, mas não precisava levar para a delegacia. Podia ter avisado o juizado apenas. E não estou passando a mão na cabeça dele, não", afirmou.  

O pai disse que essa não seria a primeira vez que a família é chamada na escola por conta do comportamento do filho.  Em outra ocasião, o estudante teria se envolvido em um caso de ingestão de bebida alcoólica com um grupo de amigos.  

"Em casa ele é tranquilo, temos uma convivência sem problemas. Não tem envolvimento com drogas", garantiu o pai.  O adolescente possui outros quatro irmãos - a mais nova com dois anos e o mais velho tem 21 anos.  

A direção da escola confirmou à polícia que o adolescente já teria apresentado outros problemas comportamentais e que a agressão ao professor teria causado um grande clamor entre os docentes, que cobraram uma punição ao aluno.    

A vítima disse que levou o fato ao conhecimento da polícia para que sirva de exemplo aos demais alunos a ao próprio estudante envolvido.  

Sem lição  

À polícia, o estudante disse que havia decidido que não faria a lição e que a confusão se início depois que professor o teria mandado sair da sala.  

Quando o garoto se preparava para sair, o professor teria solicitado a presença de um inspetor de alunos e que se irritou ao saber que o caso seria registrado em livro de ocorrências da escola.  

Ao retornar à sala, o adolescente disse que queria falar com o professor, mas que o docente gritou com ele, o que motivou a agressão.  O boletim de ocorrência (BO) foi registrado por ato infracional, vias de fato e desacato.  

Outro lado

ACidade ON procurou, por telefone, o professor e a direção da escola na manhã desta terça, mas um funcionário informou que ninguém falaria sobre o assunto com a reportagem.  

A Diretoria de Ensino de Ribeirão Preto informou, por meio de nota da Secretaria Estadual da Educação, que lamenta o ocorrido e presta total apoio ao professor. O docente segue no desempenho de suas funções.

Ainda segundo a Educação, "os responsáveis pelo aluno foram chamados pela direção e não compareceram à escola, até o momento". 

Um professor mediador e o Conselho Tutelar acompanham o caso, de acordo com a nota.


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