Larvas do mosquito da dengue colocam Ribeirão Preto em alerta

Aferições dos índices de Breteau e Predial estão acima dos patamares considerados ideais pelo Ministério da Saúde

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Lucas Catanho

Dona Sebastiana de Fátima Soffa retira diariamente água acumulada nos pratos dos vasos de plantas (Fotos: Weber Sian / A Cidade)

Ribeirão Preto entrou em estado de alerta para o surgimento de uma nova epidemia de dengue. Os dois índices de infestação por larvas do mosquito transmissor da doença estão acima do normal.  

Índices abaixo de 1 representam situação satisfatória, segundo o Ministério da Saúde. Ribeirão registrou, em maio, Índice de Breteau de 3,31 e Índice Predial de 2,54, o que configura estado de alerta. Caso estivessem acima de 3,9, a situação seria de risco iminente.  

O Breteau mede a quantidade de recipientes com larvas de Aedes aegypti e o Predial, o número de imóveis com larvas. Ao todo, quase 8 mil imóveis em todas as regiões da cidade foram vistoriados por agentes, no mês passado, em Ribeirão.  

"O risco de uma nova epidemia existe e o maior perigo está dentro das casas e nos quintais, já que cerca de 80% dos criadouros encontrados estavam nas residências", destacou a enfermeira Luzia Márcia Romanholi Passos, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde.  

De acordo com ela, os principais criadouros com larvas encontrados pelos agentes foram ralos internos e externos, materiais inservíveis, bandejas de geladeiras, latas, pratos de vasos e garrafas.
Estudos mostraram que o ovo do Aedes, fase anterior à larva, pode sobreviver por cerca de um ano sem água. Quando tem água, a larva eclode e depois nasce o mosquito.

Regiões

Dos 138 casos de dengue registrados entre janeiro e abril deste ano, mais da metade estão concentrados nas zonas Leste e Oeste (leia mais em quadro no alto).  

Moradora do Sumarezinho (zona Oeste), a dona de casa Sebastiana de Fátima Soffa, 63, está preocupada com o possível surgimento de uma nova epidemia. "Meu filho, meu neto e minha filha já tiveram dengue. Só eu e meu marido ainda não pegamos", declarou.  

Sebastiana tapou todos os ralos e tira diariamente a água acumulada nos pratos dos vasos no quintal são cerca de 50 recipientes com plantas. "Todo mundo tem que fazer sua parte porque o descuido de um pode deixar o outro doente", alertou.  

 

Mosquito da dengue (Foto: Divulgação)

Doenças transmitidas pelo mosquito 

- Dengue é a doença viral que mais se espalha no mundo, segundo o Ministério da Saúde. Na maioria dos casos, os sintomas são leves, mas uma pequena parcela evolui para a morte.
 
- Chikungunya tem como principais sintomas febre acima de 38,5 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos dedos, tornozelos e pulsos. Em alguns casos, as dores nas articulações podem persistir por meses.  

- Zika tem sintomas parecidos com os da dengue, como febre, dores nos músculos e nas articulações, mal-estar e dor de cabeça. Em gestantes pode causar microcefalia no bebê.
Febre amarela tem sintomas semelhantes aos da dengue e zika. Entre 20% e 50% das pessoas com a forma grave da doença morrem. 

 
Índices estão semelhantes
 

Os índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti registrados em maio, em Ribeirão, estão semelhantes aos aferidos em junho de 2017. Um ano atrás, o Índice de Breteau estava em 3,97, e o Predial, em 2,85.  

Em fevereiro deste ano, o Índice Predial chegou a configurar situação de risco e alcançou 5,3 em Ribeirão Preto, segundo um relatório do Ministério da Saúde. Três meses depois, no entanto, o índice de infestação que considera o número de imóveis com larvas do Aedes baixou para 2,54.  

Ribeirão Preto viveu em 2016 a pior epidemia de dengue da história, com o registro de 35 mil casos e oito mortes. Em 2017, foram confirmados 246 casos da doença, sem nenhum óbito. 

Cidade registra um caso de chikungunya  

Desde o início do ano, o Aedes aegypti foi responsável pela transmissão de um caso de chikungunya em Ribeirão não houve registros de casos de febre amarela nem de gestantes com zika vírus no período (leia mais no quadro acima).  

"A chikungunya também preocupa, já que pode ser incapacitante por poder provocar inflamação nas articulações", pontuou Luzia Passos, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde.  

No ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 40 casos de chikungunya em Ribeirão. A doença provoca sintomas como febre acima de 38,5 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações dos pés e mãos dedos, tornozelos e pulsos. Pode causar também dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele.

Análise : É hora de ficar atento 
 
"Os índices de infestação por larvas apresentados por Ribeirão Preto mostram que é hora de ficar atento no quesito prevenção, já que algumas variáveis, como chuva muito intensa ou calor anormal, podem causar uma proliferação mais intensa e facilitar a contaminação pelo mosquito Aedes aegypti. A situação está sob controle agora, mas, se algo a mais acontecer, a população poderá ficar mais vulnerável. Antes de a situação complicar, vale investir em conscientização, em educação para a cidadania, já que a maior parte dos criadouros está dentro das casas das pessoas. Existe uma tendência de a população relaxar nos cuidados quando não está havendo uma transmissão importante. O governo, por outro lado, pode intervir nos espaços públicos, mas nas residências depende muito do compromisso da pessoa com a cidadania."  
 
Carlos Rodrigues da Silva Filho
Médico especialista em saúde coletiva


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