José Marino, soldado da 2º Guerra, completa 98 anos

Ele mora em Araraquara e é um dos símbolos da Força Expedicionária Brasileira

    • ACidadeON/Araraquara
    • Da reportagem

 
O pracinha José Marino completou 98 anos no último final de semana. Ele é um dos símbolos de Araraquara na Segunda Guerra Mundial, já que há mais de 70 anos, se juntava a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para defender a Itália na Guerra.  

Marino nasceu dia 10 de março de 1920 e foi criado em Santa Rita do Passa Quatro. Casou-se com Laura e, do fruto dessa união, nasceu Maria do Carmo, que é farmacêutica e se casou com o médico Volney Schiavon. Mudou-se para Araraquara quando tinha 28 anos.  

O ex-combatente já contou por diversas vezes sua experiência e sempre revela que as lembranças não são nada boas. Em Monte Castelo, por exemplo, local de um dos conflitos mais importantes entre as tropas aliadas e a Wehrmacht (o exército alemão), José Marino ficou três meses dentro de um abrigo.

"Era um buraco com 80 cm de altura na trincheira. Eu e mais três colegas ficávamos dia e noite lá dentro, atirando nos inimigos. A média de temperatura era de 20 graus negativos. Tinha montanhas de neve por todo lugar e gelo nas árvores. Não sei como sobrevivemos naquele frio", recorda.  

Dos seis ataques em Monte Castelo, José Marino participou de quatro. "Não tenho nenhuma saudade desse período, enterrei muitos amigos lá".  

José Marino ficou fora de casa por um ano enquanto estava na guerra. Os momentos em que estava na linha de frente foram contabilizados e nunca serão esquecidos: 239 dias de "inferno", como ele mesmo diz. "A gente dormia no chão ou na terra, dentro de um buraco, era muito difícil. A comida, quando tinha, era enlatada, o almoço geralmente era feijão em conserva e carne moída", relembra.

Em meio ao caos, porém, José Marino diz que a guerra lhe ensinou muitas coisas. "São momentos que nunca mais serão esquecidos", diz ele.


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