Roda de Samba no Armazém Baixada, em Ribeirão Preto

Dia nacional do gênero é celebrado neste sábado (2)

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    • Valeska Mateus
Matheus Urenha / A Cidade
Os músicos ribeirão-pretanos Baré (de chapéu preto) e Fulô Santos estarão na roda de samba que comemora o dia do gênero hoje, no Armazém (foto: Matheus Urenha / A Cidade)

 

‘O Brasil, samba que dá / Bamboleio que faz gingar...’ Os versos acima são de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, compositor que inspirou a criação do Dia Nacional do Samba (leia mais abaixo). Para celebrar o gênero que define nosso país, sambistas de Ribeirão Preto se reúnem hoje na roda de samba “Saudosa Maloca”, no Armazém Baixada.

]“O samba é a história do Brasil, é nossa história, nossa música... é um privilégio para o brasileiro, independente de raça ou cor. Se há um dia específico, temos de comemorar com o público”, declara Baré, do grupo Chega pra Sambar, que sobe ao palco com amigos hoje à noite.

O músico cresceu ouvindo grandes mestres do gênero, como Jamelão, Cartola, Noite Ilustrada e Luiz Ayrão. Com o passar dos anos, passou a mesclar o repertório com novas ramificações do gênero, como o pagode - “o samba do século 21. Mas é tudo samba”, diz ele.

Para Baré, o samba raiz perdeu espaço nos anos 1990 por conta da explosão do pagode, mas hoje retorna com força total, tanto na produção quanto na apreciação do público. “Agora mais do nunca temos ótimos compositores do samba raiz, como os cariocas Tiee e André Renato de Oliveira e o paulista Magno Souza. São a nova geração do samba”, define Baré.

O gênero raiz aparece hoje, na roda do Armazém, em composições como “Preciso Me Encontrar”, de Cartola, “Deixa Eu Te Amar”, de Agepê, e híbridos de Jorge Benjor e Djavan. “A gente faz um Brasil híbrido na sua musicalidade”, declara Baré.

Harmonia

No mesmo palco sobe também Fulô Santos, ribeirão-pretano que descobriu o samba aos 7 anos desfilando pela escola “Os Bambas”. A paixão rendeu três CDs, sendo o mais recente “Iluminado” (2015), com compositores cariocas como Noca da Portela, Martinho da Vila, Alcione, entre outros. “Gosto de samba que tem letra, poesia, melodia, harmonia bonita... conteúdo que mexe com nosso sentimento”, define.

Para o sambista e compositor, a roda de samba reúne amigos que defendem a bandeira do gênero. “Em mais de 35 anos de carreira, foram poucas as vezes que houve essa união para comemorar o Dia do Samba”, afirma Fulô, que cantará hoje “Maravilha de Cenário”, de Martinho da Vila, e “Ilumina”, de Loca da Portela, além das composições próprias “Esquina” e “Moqueca Carioca”.

Para “selar” a celebração em grande estilo, Baré aposta no fechamento com todos no palco. “Com a roda de hoje muita gente terá a oportunidade de ouvir sambistas de talento no mesmo palco. O público vai saborear essa junção com a cara do Brasil”, define. 

Origem

O samba tem origem nos batuques ancestrais das culturas de matriz africana. No Brasil, o primeiro registro formal documentado do gênero foi a gravação de “Pelo Telefone”, por Donga e Mauro de Almeida, em 1916. Já o Dia do Samba foi criado pela Câmara de Salvador para homenagear Ary Barroso – autor de “Na Baixa do Sapateiro” e “Aquarela do Brasil”, entre outros sambas - quando ele visitou a cidade pela primeira vez, em 1940. Até pouco tempo, a data era comemorada apenas em Salvador e Rio de Janeiro, mas aos poucos é reverenciada Brasil afora. 

Serviço

Roda de samba ‘Saudosa Maloca’

QUANDO: hoje, às 22h

ONDE: Armazém Baixada (rua Duque de Caxias, 141 – Centro) 

INGRESSOS: de R$ 10 a R$ 15


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