Espetáculo no Sesc Ribeirão Preto mostra histórias e ritmos da cultura do interior

'Ecos da Paulistânia' revela as manifestações culturais dos bandeirantes e da região Sudeste

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    • Valeska Mateus
Fabricio Vianna / Divulgação
Trecho da apresentação de 'Ecos da Paulistânia', que o Sesc recebe na próxima sexta-feira (foto:Fabricio Vianna / Divulgação)

 

Um relato musical do interior paulista e sua cultura caipira. É a proposta do espetáculo “Ecos da Paulistânia”, agendado para a próxima sexta-feira, no Sesc Ribeirão.

Cantigas indígenas, folias de reis, jongos, congadas, sambas paulistas, modas de viola, maxixes e quadrilhas são entremeadas por histórias em um show que revela as manifestações culturais e ritmos dos bandeirantes e da região Sudeste.

“Queremos levar o público a conhecer a história e a musicalidade dos seus antepassados, estimulando que esse interesse permaneça após o espetáculo, em conversas entre avós e netos, diálogos e pesquisas dos jovens, crianças e adultos com os artistas e o público mais experiente da cidade”, resume o músico e pesquisador Leandro Pfeifer, idealizador do projeto.

Entre as histórias está a de um rei negro que foi escravizado e, no Brasil, transformou-se no rei do Congo. “Revelamos histórias que permeiam o imaginário dos foliões de reis, manifestação de origem ibérica que no Brasil é renovada e enriquecida através da interação com outros povos”, diz Pfeifer.

Foram essas passagens históricas que inspiraram a busca de um repertório musical que dialogasse com elas. “Para cada narração trazemos músicas tradicionais, músicas caipiras, arranjos de grandes autores e o trabalho autoral dos integrantes, que dialoga com cada momento histórico”, explica Pfeifer.

Repertório

O povo guarani é lembrado na canção “Luz Dourada”, uma homenagem do compositor goiano Juraildes da Cruz. Os batuques do Sudeste - que representam a rica contribuição das culturas Bantu na formação cultural caipira - marcam presença na música “Jongos e No Fundo do Mar”. “Essa canção permeia a história do Chico Rei, primeiro negro dono de uma mina de ouro no Brasil”, detalha Pfeifer.

O samba paulista surge com ‘São Paulo Menino Grande’, de Geraldo Filme, que destaca cenários antigos da capital com um olhar saudoso. A tradição das quadrilhas está em “Cipó de São João”, composição de Pfeifer, em parceria com o violeiro Domingo de Salvi, inspirada na trepadeira que anuncia a chegada do período junino pelos interiores caipiras. E “Ecos da Paulistânia”, também de Pfeifer, resume de forma poética os elementos que marcam o show. 

O começo de tudo

O projeto musical “Ecos da Paulistânia” nasceu em 2008, da percepção de Pfeifer e da atriz Tatiana Zalla, do Grupo Manuí, de que pouco se falava de referências do universo das culturas populares nas produções artísticas. “Inicialmente, fomos movidos por um desejo artístico e pessoal de conhecer melhor a musicalidade tradicional e histórias que revelam nossa identidade cultural”, conta Pfeifer. Através do contato com obras literárias, pesquisas, vivências, artistas, educadores e grupos interessados no tema, a dupla se aliou à cantora e educadora Rosângela Macedo, que tem trabalho focado nos batuques do sudeste.

SERVIÇO

Show ‘Ecos da Paulistânia’

QUANDO: Sexta-feira (13), às 17h

ONDE: na Área de Convivência

do Sesc Ribeirão

(rua Tibiriçá, 50 – Centro)

Grátis

INF.: (16) 3977-4477


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