Surpresa: tem uma banda tocando na praça da Vila Virgínia

Mercado de Peixe tira moradores de dentro de casa para curtir música em espaço público e democrático

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    • Lucas Catanho
Renato Lopes / Especial
O som da banda Mercado de Peixe ecoou pela Vila Virgínia na manhã deste sábado; clique na imagem para abrir galeria (Foto: Renato Lopes / Especial)

 

O final da manhã e o início da tarde teve o mesmo gosto de surpresa, neste sábado (8), para o aposentado Valter de Jesus, 55, e para a balconista Rubiana de Oliveira, 40 anos. Ambos estavam em casa, começaram a ouvir o som da banda Mercado de Peixe na praça José Rossi, na Vila Virgínia, e logo trataram de andar poucos metros até o espaço público para ver (e ouvir) o que estava acontecendo.

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“Aqui nessa praça a única coisa que tinha era a Folia de Reis. Apoio muito porque, quanto mais for aproveitado o espaço, menos será utilizado para coisas ruins. Muita gente usa droga aqui, até de dia”, comenta Rubiana.

A balconista estava vendo TV em casa e foi despertada assim que a banda começou a tocar. Rubiana considera que a mensagem passada pelos músicos lhe trouxe paz e tranquilidade. “É o que a gente está precisando”, conta. “Nem estava sabendo da apresentação também, mas comecei a ouvir quando estava no computador em casa. São músicas que não ouvimos sempre e merecem ser mais divulgadas, porque fazem parte da cultura da gente”, completa Valter, enquanto registrava a apresentação da banda com o celular.

Caipira pop

A mistura entre o pop e a cultura “caipira” é destacada pelo baixista da banda, Fabiano Alcântara. “Se formos definir o nosso som hoje, seria caipira pop”. O guitarrista da Mercado de Peixe faz também as vezes de violeiro ao dedilhar a viola de dez cordas.

As letras, segundo o baixista, retratam a realidade do interior, com todas as suas conexões com outros lugares. “Queremos fazer dançar e marcamos posições contra o machismo, a homofobia e a xenofobia”, resume.

E teve dança ontem na praça, mesmo sob um sol escandante e uma temperatura superior a 30ºC. O show faz parte da turnê “Água da Faca 2017”, com o apoio do Proac (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Estado da Cultura. Integra a divulgação do oitavo disco da banda, criada há 21 anos dentro da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Bauru.

Apresentar-se em espaços públicos, diz Fabiano, traz um gostinho especial a mais – o do inesperado. “A gente não sabe o que pode acontecer”.

Privilégio

Valter e Rubiana nem estavam sabendo do show, mas havia na plateia quem já foi direcionado para curtir o som.

Um exemplo é o auxiliar administrativo Braiant Malta, 28, privilegiado por conhecer algumas faixas do CD “Água da Faca” antes mesmo de o disco ser gravado, em 2015.

“Ele me trouxe um pen drive”, relembra – ele, no caso, é o vocalista da banda, Juninho Madureira, de Ribeirão Preto, amigo de Braiant há cinco anos.

Neste sábado (8), Braiant foi conferir ao vivo a mostra que já havia ouvido antes por meio do seu amigo – e gostou. “É uma mistura bem legal de maracatu, funk, difícil de se ver em outras bandas”, conclui.


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