Vanessa da Mata se apresenta neste domingo (13) em Ribeirão Preto

Cantora fala com exclusividade sobre sua trajetória, os sentimentos e as pessoas que a inspiraram nas composições de 'Caixinha de Música', álbum da turnê que ela traz a cidade

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Silvia Pereira

Vanessa da Mata se apresenta neste domingo em Ribeirão Preto (Foto: Divulgação / Marcos Hermes)

"Surgiu de um momento de inspiração onde eu me sentia uma caixa de ressonância... da ideia de poder cantar qualquer coisa, qualquer assunto, como se todos os assuntos pudessem ser musicados. Surgiu também da ideia da caixa fechada que se abre e expõe seus pensamentos e reverbera longe. E da intimidade, a parte mais fechada".  

Assim a cantora, compositora e desde 2013 escritora Vanessa da Mata descreve o nascimento do álbum e DVD ao vivo "Caixinha de Música", que ela apresenta em show da turnê homônima neste domingo (13), no palco do Theatro Pedro II, em Ribeirão Preto.  

"Eu fiz pra minha mãe, para muitas mulheres sofredoras que deixaram de amar, que não tiveram tanta sorte no amor. Eu também sou uma pessoa que durante muito tempo me fechei pro amor e isso me inspirou também. A volta do amor e de se deixar levar pelas coisas mais delicadas e sensíveis, as poesias da vida...".  

Assim Vanessa se abre nesta entrevista, como a caixinha imaginária de onde saíram as inspirações para as músicas inéditas do álbum. Entre elas está "Orgulho e Nada Mais". "Uma música divertidíssima que eu gosto muito e que tem essa pegada eletrônica desse álbum que não tinha nos outros. Eu queria um ponto mais eletrônico do que nos outros shows", descreve.  

Outra é "Gente Feliz", que reverbera um sentimento que a política brasileira tem despertado na artista. "Uma fase de reação e punição aos políticos que eu acho muito importante e que precisa ser cada vez mais. Eu acho que dá uma desesperança, porque caem muitos mitos, muitos falsos heróis. Ao mesmo tempo essa música é simplesmente falando sobre como vamos conciliar a desilusão com os falsos heróis e ao mesmo tempo a esperança em saber crescer e não ser tão infantil", diz.  

Mas desta Caixinha também saem antigos sucessos, como "Não Me Deixe Só" e "Ai, Ai, Ai" - a música mais executada nas rádios brasileiras em 2006 e que rendeu o primeiro disco de platina a Vanessa. Também saem "Amado" e "Boa Sorte/Good Luck", do álbum "Sim", que faturou o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro em 2008, e "Ainda Bem", de "Essa Boneca Tem Manual", entre tantas outras que alçaram Vanessa à posição de uma das compositoras brasileiras mais talentosas de sua geração, mesmo com todas as previsões contra.  

"Muitos anos eu ouvi que jamais faria sucesso, que não seria popular, que seria [artista] de lugar chique e eu detestava a situação porque eu venho do povo e eu queria que aquilo fosse pra todo mundo", conta a artista sobre as críticas a suas escolhas do início da carreira.  

Para sua (e nossa) sorte, deu de ombros a todas e também aos conselhos de cantar músicas e gêneros em que não acreditava e de alisar o cabelo crespo, que sempre assumiu rebelde, armado, como juba de leoa. "Acredito em auto estima e que cada um tem seus traços e precisam ser evidenciados e gostados. Eu acreditava que as minhas letras eram as letras que eu gostaria de exprimir."

Mulher de vontades  

Vanessa sempre soube o que quis. Precoce, começou a cantar em bares aos 15 anos, em Uberlândia (MG), a 674 km de distância de Alto Garças (MT), sua terra natal. Foi para lá sozinha, morar em um pensionato, com o pretexto de se preparar para o vestibular de medicina. Mas já sabia que queria cantar.  E cantou.  

Com 16 anos foi para São Paulo, onde entrou no grupo feminino de reggae Shalla-Ball. Com 19, excursionou com a banda jamaicana Black Uhuru. Em seguida, fez parte do grupo de ritmos regionais Mafuá, que conciliava com as carreiras de jogadora de basquete e modelo.  

Em 1997, aos 21, conheceu Chico César e com ele compôs "A força que nunca seca", que concorreu ao Grammy Latino. A música foi gravada por Maria Bethânia, que a colocou como título de seu disco de 1999.  

Bethânia voltou a gravar Vanessa - "O Canto de Dona Sinhá", no álbum "Maricotinha" - e Daniela Mercury incluiu sua "Viagem" no álbum "Sol da Liberdade".   

O Brasil descobria assim uma grande compositora. O primeiro álbum solo veio em 2002 e, depois dele, "Essa Boneca Tem Manual", "Sim, "Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias", "Vanessa da Mata canta Tom Jobim", "Segue o Som" e o CD/DVD "Multishow ao Vivo Vanessa da Mata", anterior ao "Caixinha de Música".

Em todos, mesclava composições de sua autoria a releituras de canções de suas grandes influências. Roberto Carlos entre elas, de quem gravou, com grande sucesso de público, "Nossa Canção". De Tom Jobim cantou shows inteiros no projeto "Vanessa da Mata canta Tom Jobim", patrocinada por uma marca de cosméticos.  

"Eu tenho alguns artistas que amo e tenho respeito do meu mais profundo sentimento. Roberto Carlos, que ouvi minha infância inteira e que me traz lembranças maravilhosas (...). Eu tenho Caetano Veloso, Gilberto Gil, que é meu parceiro e admiro muito. Tenho Clara Nunes, que ouvi durante muitos anos e tinha uma imagem como se ela fosse um anjo. Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra, Gonzaguinha, Orlando Silva, Francisco Alves e pessoas de rádio dos anos 1930 e 1950", enumera.

Fãs e Ribeirão  

Sobre a relação com os fãs, considera a melhor possível. "Eu tenho curiosidade, carinho. Eu sempre fui muito maternal. Muitas vezes até briguei com funcionários locais que não querem ficar para atender o pessoal após o show. Eu atendo todo mundo, menos quando temos show no dia seguinte ou algo assim", diz.  

Sabe que tem muitos em Ribeirão, por onde já passou com alguns shows. Tem boas lembranças de um que fez na Feira Nacional do Livro, há alguns anos. "Ribeirão sempre foi uma cidade que estava nos meus assuntos. A cidade está dentro de um imaginário meu interessantíssimo. Gostaria muito de poder voltar sempre. É uma cidade que está no meu coração." (Com Bruna Zanatto, sob supervisão de Silvia Pereira)

SERVIÇO
Vanessa da Mata Caixinha de Música

QUANDO: 13/5 (domingo), 20h
ONDE: Theatro Pedro II (rua Álvares Cabral, 370)
INGRESSOS: R$ 100 a R$ 150 (conforme lugar)
INF.: (16) 3977-8111  

VANESSA EM NÚMEROS

ÁLBUNS

2002: Vanessa da Mata (Sony)
2004: "Essa Boneca Tem Manual" (Sony)
2007: "Sim" sucessos: "amado", "Vermelho" e "Boa Sorte/Good Luck"
2009: CD/DVD "Multishow ao Vivo Vanessa da Mata"
2010: "Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias"
2011: gravou participação no álbum "Red Hot+Rio 2", da organização Red Hot
2013: "Vanessa da Mata canta Tom Jobim"
2014: "Segue o Som"
2017: CD/DVD "Caixinha de Música" (ao vivo)

PRÊMIOS E INDICAÇÕES

2006: a canção "Ai, Ai, Ai..." foi a música brasileira mais executada nas rádios do País e chegou a Disco de Platina
2008: venceu o Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro pelo álbum "Sim"
2014: recebeu duas indicações ao Grammy latino: na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro pelo álbum "Segue o Som", e na categoria Melhor Canção Brasileira pela canção homônima, que também foi a música brasileira mais executada nas rádios durante 2014, no segmento adulto

LIVRO  

2013: lança o livro infanto-juvenil "A Filha das Flores", pela Companhia das Letras


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