Uma princesa brasileira na Alemanha

Myrthes Monteiro é cantora e bailarina na Alemanha há 11 anos, mas sonha com uma carreira bem sucedida no Brasil

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Rita Magalhães

A cantora, atriz e bailarina Myrthes Monteiro interpreta a princesa Jasmine no musical "Aladin"
 

Cantora, atriz, bailarina. Essa é Myrthes Monteiro, 32 anos, que deixou Ribeirão Preto há 11 para brilhar nos palcos da Europa. Atualmente, ela é a princesa Jasmine, no musical "Alladin", da Disney, que está em cartaz há três anos na Alemanha.  

Paralelamente, a cantora atua em outros musicais. Há pouco tempo, foi protagonista de "Flashdance", na Suíça, e na semana que vem participa outra vez de "West Side Story", interpretando Maria, na Ópera Leipzig.   

No fim do ano, voa para a Áustria para protagonizar a primeira versão em língua alemã do musical "Um Americano em Paris" e, em seguida, do musical "Ragtime", no qual fará o papel da protagonista Sarah.  

Myrthes Monteiro concedeu entrevista exclusiva ao ACidade ON e fala sobre os desafios que teve de vencer até alcançar o papel principal num dos mais conhecidos musicais do planeta.  

ACidade ON - Quando você trocou Ribeirão Preto pela Alemanha e como foi essa escolha?  

Myrthes Monteiro - Eu vim para a Alemanha em 2007, já contratada, para integrar o elenco de "O Rei Leão", em Hamburgo. Minha vinda não foi direto de Ribeirão Preto, pois eu já havia me mudado para São Paulo havia três anos, para começar minha carreira. Mas quando recebi a ligação da Alemanha me convidando, estava em Ribeirão, almoçando com os meus pais, e foi muito emocionante. De repente, vi minha vida mudando completamente em um segundo. Foi um presente grande dividir esse momento com meus pais, que estavam ali comigo e me apoiaram sempre, desde o primeiro momento.
 

Você deixou a terra Natal, o colo dos pais, para se aventurar num país de língua estranha, clima gelado e cultura diferente. Quais foram os principais obstáculos e desafios dessa mudança?  

Foram e ainda são muitos desafios e obstáculos. A cultura é muito diferente da nossa. Eu me vi, de repente, em um país novo, sem falar a língua deles ou nenhuma outra com que pudesse me comunicar, pois naquela época não falava inglês nem espanhol, somente português.   

Eu não tinha nem passaporte, só tinha ido uma vez brevemente a Buenos Aires. Fora isso, o clima foi um choque muito grande (e continua sendo). O trabalho aqui é muito duro e muito profissional, tem gente do mundo todo lutando por essas vagas.   

E desde o momento em que deixei a minha família e o Brasil para correr atrás do meu sonho, não tem nem um segundo da minha vida que estou fazendo algo que não seja lutar por ele. Sou muito disciplinada quando se trata da minha carreira e foquei em me tornar a melhor versão de mim.   

Abdiquei da minha vida privada, dedico todos os meu dias a praticar, estudar, trabalhar. A concorrência é muito grande aqui. Concorro com alemães, na terra deles, na língua deles, onde a exigência e a crítica é muito alta. Para mim a exigência é muito maior por eu ser estrangeira. Não só tenho que ganhar no talento como ainda tenho que provar que falo tão bem como eles, pois na plateia há um público de 2.000 alemães nos esperando.  


Hoje você é uma artista consagrada e famosa na Alemanha. Gostaria que esse mesmo reconhecimento e oportunidade ocorressem no Brasil?  

Sim, claro. Acredito que no meio dos musicais as pessoas saibam quem eu sou. Eu converso sempre em português pelas redes sociais com os fãs brasileiros de musicais e muitos acompanham minha carreira também.   

É claro que se eu vivesse isso tudo no Brasil, esse reconhecimento seria provavelmente muito maior. Sim, eu adoraria ter esse reconhecimento, pois o Brasil é o meu País, que tanto amo, e não existem fãs tão carinhosos como os brasileiros. Adoro a Alemanha pelo grande e competente país que é, mas o Brasil sempre vai ser meu país do coração e o carinho que tenho por ele e pelo nosso povo é imensurável.  


Você pretende fazer carreira no Brasil?  

Por mais que eu já esteja na Alemanha há 11 anos, eu sempre penso em fazer carreira no Brasil.   Adoraria passar uns meses aí e fazer um musical ou outro e depois voltar pra cá, onde tenho minha base. Ou até mesmo lançar minha carreira solo aí, que é algo que sempre quis. Aí eu teria minha família perto de mim, falaria minha língua, teria sol e calor (risos) e teria o carinho do público brasileiro, que é incomparável. É um pacote muito tentador (risos).


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