Um resgate do choro paulista em Ribeirão Preto

Flor de Aguapé faz show, no Theatro Pedro II, do álbum no qual reúne a nova e a Velha Guarda do gênero no interior do Estado

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Da reportagem

Chorões: O convidado França Mousse (à frente) com Ricardo, Tiago, Alexandre e Jacque, do Flor de Aguapé (foto: Matheus Urenha / A Cidade)
 
Esta reportagem tem a garantia de apuração ACidade ON.  
Diga não às fake news!


O grupo de choro Flor de Aguapé faz show de seu primeiro álbum, homônimo, hoje à noite no Theatro Pedro II.
Formado pela vocalista Jacque Falcheti e os músicos Leonardo Freitas (piano), Ricardo Perez (pandeiro) e Alexandre Peres (cavaco), o grupo recebe Tiago Santos (bandolinista contemporâneo), Vania Lucas (cantora) e França Mousse (instrumentista da velha guarda) em participações especiais esta noite.  

No repertório, além das dez músicas inéditas do álbum, constam covers de Pixinguinha e Jacob do Bandolim, mestres do gênero.  

Três músicas do álbum "Flor de Aguapé" são de autoria de Alexandre e Leonardo. As outras sete são assinadas por músicos e letristas contemporâneos do interior de São Paulo, como João Camareiro, Rui Kleiner, Iury Reis, Iara Ferreira e Glauber Seixas.  

É que o objetivo do grupo com o trabalho foi resgatar músicas inéditas do interior paulista, tanto pela Velha Guarda quanto de compositores contemporâneos.  

"As pessoas pensam que choro só tem no Rio de Janeiro, mas tem uma grande força paulista", pontua a vocalista Jacque Falcheti. "A gente também tem uma ideia de que o choro é algo antigo, tradicional. Queríamos mostrar que ainda tem pessoas compondo choro atualmente", acrescenta.

Velha Guarda  

A Velha Guarda está representada no álbum por Horvildes Simões e sua mulher, Chiquita, autores de "Casa Velha"; e também por Belmácio Pousa Godinho e Benedito Costa, com "Valsa Jamais Voltarei".  

Segundo Jacque, essas músicas foram encontradas em uma pesquisa feita por Alexandre sobre os compositores de choro de Ribeirão Preto, eo maior desafio para gravá-las foi lidar com a burocracia. "Apesar de inéditas, elas necessitam de um grande processo de autorização para serem gravadas. Foi difícil achar os familiares, os compositores, onde estavam as obras...", conta.  

A produção do álbum, que foi aprovado no ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo) para levantar patrocínio via lei de incentivo, levou em torno de um ano, e o lançamento ocorreu no final de 2017. Desde então, o grupo está em turnê de divulgação, que já passou por cidades do sul do Brasil, Uruguai e agora roda o estado de São Paulo.  

Em Ribeirão, o show de hoje será o segundo da turnê, mas o de maior expectativa para o grupo, segundo Jacque. "A gente tá muito animado. As pessoas de Ribeirão falam que querem muito esse show aqui e estamos preparando com muito carinho. Queremos apresentar de uma forma bem especial", conclui. (Bruna Zanatto, sob supervisão de Silvia Pereira) 

Uma trajetória de confiança  

O Flor de Aguapé foi criado em 2012, na cidade de São Carlos, quando Jacque e Leonardo se conheceram no curso de música da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). "Tínhamos em comum essa paixão pelo choro e começamos a desenvolver o repertório, mas o Léo precisou voltar pra Ribeirão em 2014", lembra a cantora. Em Ribeirão o grupo cresceu.   

"Descobrimos que tínhamos amigos músicos [Alexandre e Ricardo] que estavam tentando fazer choro por aqui. Foi onde começamos a ter contato mais direto e os chamamos para formarem o grupo", conta Jacque. 

A base de todos os shows do grupo sempre foram covers de clássicos do gênero. O empenho gerou reconhecimento, como a classificação do grupo em 17° lugar na lista do site Embrulhado dos 100 Melhores Discos do Ano de 2017 (resultante de uma triagem de mais de 1.500 discos), além da seleção em vários editais.  

"A gente sempre fez tudo com muito amor, dedicação, respeito e garra de acreditar que tudo vai dar certo e que conseguimos viver muito bem de fazer música com amigos e tocar o que gostamos", afirma Jacque.  

Para este ano, o grupo tem agenda até setembro, que inclui shows em festivais como Circuito Jazz, em Uberaba, e na Casa do Choro, no Rio de Janeiro.  

"Sempre trilhamos o caminho conscientes do nosso estilo. O choro sempre foi marginalizado, já nasceu nas ruas e nunca teve grande visibilidade, nunca foi da grande mídia. Mas temos grandes ideias, grandes projetos e grandes vontades de fazer acontecer." (Jacque Falcheti Vocalista do Flor de Aguapé) 

Um gênero nascido nas ruas  

O choro surgiu no Rio de Janeiro no século 19, como uma adaptação criada pelos moradores do subúrbio das músicas tocadas nas festas da elite portuguesas (polca, valsa, xote). É tocado em formações que incluem instrumentos musicais de sopro, cordas e percussão. 

Serviço  

Show da turnê "Flor de Aguapé"
QUANDO: hoje, 20h.
ONDE: Theatro Pedro II (rua Álvares Cabral, 370)
INGRESSOS: R$ 30
INF.: (16) 3977-8111


0 Comentário(s)

Seja o primeiro a comentar.