Curta de Ribeirão Preto 'Baratas aterrorizantes' é destaque

Curta metragem de ribeirão-pretanos que tem o inseto como tema será único brasileiro em antologia de terror

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    • Valeska Mateus

Trauma de infância: Os gêmeos escolheram o tema exatamente por terem horror ao inseto (foto: Matheus Urenha / A Cidade)
 
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Baratas comandam a Terra após tornarem-se as únicas sobreviventes da explosão de uma bomba atômica. Cansados de serem mortos e fritos para tornarem-se alimento em alguns países, esses insetos se reúnem na noite de Natal para explodir o planeta. Essa é a história do curta "O Império das Baratas", produzido e dirigido pelos "gêmeos do Cinema", como são conhecidos os cineastas ribeirão-pretanos André e Marcos de Castro.  

O curta foi selecionado para participar do longa "Grindsploitations Parte 4". Será o único brasileiro, entre 25 selecionados, a integrar a antologia de terror trash produzida por Tony Newton (Body Bag Films) e distribuída pela Troma Films, uma das mais respeitadas produtoras de filmes trash do mundo.  

A antologia será disponibilizada via streaming este ano em algumas plataformas de vídeo sob demanda e seu trailer já foi lançado. "Nossa expectativa é divulgar a produção de curtas no Brasil, principalmente do gênero terror, e ganhar visibilidade nessa arte", declara Marcos, que assina a direção, a produção e o roteiro de "O Império das Baratas".  

Todo falado em português e com legendas em inglês, com o intuito de valorizar a cultura nacional, o curta foi produzido especialmente para a seleção da antologia após um contato que os gêmeos tiveram com o produtor britânico Tony Newton no Festival de Cannes de 2015, na França.  

"Sempre tive o sonho de trabalhar com a Troma. Em Cannes, abordamos o assessor de Lloyd Kaufman [diretor da Troma], que nos sugeriu procurar o Newton, parceiro da distribuidora. Ele nos falou que haveria a seleção, mas até então nenhum curta brasileiro havia participado", conta Marcos.

Exploitation  

O curta segue o terror estilo Exploitation - caracterizado por custo baixo, tendência à comédia e que costuma camuflar uma severa crítica social, política ou religiosa. É algo inédito no trabalho dos gêmeos, que até então faziam um terror mais clichê, como o do curta que os levou a Cannes: "Morto Vivos, Vivos Mortos" para exibição em uma sala de cinema após inscrição em plataforma digital.  

Trabalhar com esse estilo foi uma experiência muito divertida, segundo Marcos, porque não há preocupação com detalhes como a cor do sangue, a narração e as tramas, que nos filmes trash são sempre sem lógica. "O estilo traz mais liberdade, mas se fecha a um público específico por conta disso e da pitada sarcástica. Muitos nem consideram um gênero cinematográfico", comenta o diretor.  

O processo  

A ideia de trabalhar com baratas surgiu a partir do acesso dos gêmeos aos títulos dos demais concorrentes. Eles perceberam que não havia temas relacionados a insetos e apostaram no diferencial.  

"Temos uma verdadeira aversão a baratas, um trauma de infância, e por esse próprio terror que elas nos causam decidimos trabalhar com o tema", revela Marcos.  

O primeiro passo foi a captação de imagens para, a partir delas, montar o roteiro. Foram captadas cenas de documentários, canais de domínio público, banco de imagens e eles ainda produziram algumas em Ribeirão Preto. Em três meses, foram captados 44 minutos de imagens.  

A partir de uma cena de sexo entre baratas e de uma ameaça de bomba noticiada na TV surgiu a ideia da história. "E se houvesse uma bomba nuclear e a barata fosse a única sobrevivente? Ela poderia se tornar rainha do planeta", propôs Marcos.  

Por fim, os gêmeos decidiram-se por fazer a fotografia envelhecida, como a de filmes dos anos 1940, e com zoom de longe. "Não superamos a aversão. Só deciframos o intuito do inseto. Nos tornamos PHD em baratas, mas o ódio continua", brinca o diretor.  

Custo 

R$ 5 mil foi o custo do curta O Império das Baratas, que teve produção e edição feitas na The Look. Tudo foi custeado pelos gêmeos do Cinema.


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