Exposição em Ribeirão Preto mostra cores e sorrisos no deserto

É o que mais chama a atenção em As Mulheres do Thar, retratadas na exposição da artista plástica Ana Cunha, de Ribeirão

    • ACidadeON/Ribeirao
    • Da reportagem

Exposição da artista plástica Ana Cunha, de Ribeirão Preto (foto: Weber Sian / A Cidade)

As mulheres habitantes do deserto mais povoado do mundo são envoltas em cores, beleza e mistério. Foi o que captou o olhar da artista plástica ribeirão-pretana Ana Cunha ao estudar um grupo específico que vive no Thar,região localizada entre o noroeste da Índia, no estado do Rajastão, e o leste do Paquistão. Seus registros em óleo sobre tela renderam uma série de 25 quadros, dos quais 21 formam a exposição "As Mulheres do Thar", que pode ser vista até 7 de abril no primeiro andar do Fórum de Ribeirão Preto.  

Tudo começou com uma fotografia. "Eu vi uma imagem na internet feita pelo filósofo Shivji Joshi, que mora na cidade Azul, uma entre as do deserto do Thar. Então eu procurei sua rede social e solicitei autorização pra pintar a imagem e ele me permitiu. Foi assim que surgiu a primeira imagem da série, que se chama fila indiana", conta Ana.  

Ela quis mais e passou a buscar todo tipo de informações e trabalhos de fotógrafos de diferentes lugares do mundo que registraram as belezas de Thar e suas mulheres.  

A vontade de representá-las aumentava à medida que Ana se informava sobre seus duros estilos de vida. "Eu fiquei imaginando a dificuldade daquelas mulheres carregando aqueles potes por dunas do deserto. Nas pesquisas de imagem, eu via todas sorridentes, felizes. Então, apesar de todo sacrifício que elas fazem pra buscar água pra beber e cozinhar, elas não são pessoas tristes. O tipo de vida que elas levam lembra muito o das mulheres do Nordeste [do Brasil]", compara.  

Entre pesquisas e pintura dos quadros, foram-se quatro anos, que Ana nem viu passarem. "Eu não pensei no difícil. Eu pensei no aprender", diz a artista, que faz questão de registrar o auxílio artístico dos colegas pintores Rogério Contreras, nos dois anos iniciais, e Ubirajara Junior, que a acompanhou nos quatro anos de produção.

Homenagem  

Mesmo as mulheres de Thar sendo de culturas tão diferentes, Ana conta ter se identificado com elas. "Eu acho que houve uma grande identificação com a vida que eu levei na infância. Criança pobre morando no interior, trabalhando na roça", relata.  

Através da exposição, a artista também quer homenagear todas as mulheres que levam uma vida sacrificada. "Eu representei um grupo de mulheres de uma classe social mais pobre de todos os países. A gente está em um mundo muito consumista, então eu queria transmitir que podemos ser felizes como elas são mesmo com o pouco que elas têm", arremata. (Bruna Zanatto, sob supervisão de Silvia Pereira)   

Aos 60 anos de idade, Ana Cunha se diz uma artista "recente" (foto: Weber Sian / A Cidade)

Artista recente  

Aos 60 anos de idade, Ana Cunha se diz uma artista "recente". Antes de mergulhar no mundo da arte, atuou como oficial de Justiça no Fórum de Ribeirão Preto. Uma depressão e a recomendação médica por uma terapia alternativa a levaram à prática da pintura em tela. Após sua aposentadoria, em 2010, ela decidiu transformar o hobby em profissão.  

Desde então, seu trabalho começou a ser reconhecido, com menções honrosas e premiações em salões de arte e coletivas pelo interior de São Paulo e Minas Gerais. A mais recente premiação foi pela obra "Yin Yang", que levou a Medalha Candido Portinari, em Brodowski, no ano passado.  

Atualmente, ela trabalha em outra série que também tem como foco a mulher, sua feminilidade, sensualidade e beleza. "Estou me dedicando a uma série sobre nus de mulheres", adianta.  

Serviço  

Exposição As Mulheres do Thar A difícil vida das fortes mulheres que habitam o Deserto do Thar
QUANDO: até 7/4, de segunda a sexta, das 12h30 às 19h
ONDE: Primeiro Andar do Fórum Estadual de Ribeirão Preto
(rua Alice Além Saadi, 1.010 Nova Ribeirânia)
GRÁTIS


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