Empresários se reinventam e expandem negócios em Ribeirão Preto

Atentos ao mercado, empresários aumentam o faturamento, geram mais empregos e conquistam clientes

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    • Lucas Catanho
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Patrícia abriu seu bufê também para o almoço e já comemora os bons resultados da iniciativa (Foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Empresários se reinventaram para expandir os negócios e o resultado dessa prática tem sido o aumento do faturamento, a conquista de nova clientela e a geração de novas contratações, indo na contramão da queda no emprego formal – nos últimos 12 meses, o saldo negativo foi de 2,2 mil vagas em Ribeirão, segundo o Ministério do Trabalho.

O consultor do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) Darcy Paulino Lucca Junior destaca que uma das dicas para ser bem-sucedido na expansão está em “escutar verdadeiramente o cliente”.

Foi o que fez a empresária Patrícia Neme, proprietária da Mansão Antonietta Buffet. Após trabalhar 12 anos no ramo – cinco deles em sede própria – e se consolidar no mercado de Ribeirão, decidiu abrir o casarão no Alto da Boa Vista (zona Sul), para festas de casamentos, formaturas e aniversários.

Desde o início da semana passada, o bufê vem abrindo as portas durante o dia, de segunda a sexta-feira, para abrigar o Bistrô Antonietta. O objetivo: servir almoço executivo com pegada gourmet e a preço acessível. “Muitos clientes nos procuraram manifestando a vontade de comer novamente a comida do bufê, mas para isso precisariam ser convidados para uma festa”, relembra.

Pesquisa de mercado

Impulsionada por esse desejo, a empresária fez primeiramente uma pesquisa de mercado para verificar se havia serviço semelhante na região repleta de prédios empresariais, agências bancárias e clínicas médicas. Notou, depois do estudo, haver um nicho de mercado a ser explorado. Pronto: decidiu utilizar o espaço do bufê ocioso durante o dia.

“Usei o know-how do bufê em gastronomia e atendimento, adaptei o cardápio para o almoço executivo, uma comida do dia a dia, porém com ‘pegada’ gourmet, em um ambiente calmo e reservado. É um bom lugar também para se fechar negócios, como já vem acontecendo”, explicou.

Como a dinâmica da cozinha do almoço executivo é diferente da do bufê, foi necessário contratar seis funcionários inicialmente, mas com previsão de ampliação em breve, segundo a empresária.

É que, em pouco mais de uma semana de trabalho, o resultado já tem superado as expectativas. “Está sendo maravilhoso, os nossos antigos clientes vieram e trouxeram novas pessoas. E quem não conhecia e veio para almoçar conhece o nosso serviço de bufê, uma coisa puxa a outra”, conclui. 

Planejamento é o primeiro passo

O consultor do Sebrae Darcy Paulino Lucca Junior considera que o primeiro ponto a ser levado em conta para ser bem-sucedido na ampliação de um negócio está em fazer um planejamento prévio, o que inclui uma pesquisa de mercado para verificar se determinado serviço ou produto atende às necessidades dos clientes.“Não se pode ser precipitado para lançar algo”, diz.

Outra dica é estabelecer o público-alvo, já que ninguém consegue atender a todos. “Quanto mais a ampliação do negócio for complementar ao negócio principal, maior será a chance de dar certo. Quando não há sinergia, um produto pode acabar indo contra o outro”, frisou.

Ainda segundo o especialista, mais um ponto importante na ampliação de um negócio é estar frente a frente com o cliente para saber as necessidades do público. “Muitas empresas têm, por exemplo, caixas de sugestões, mas sequer leem o que o cliente escreve”, relata.

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Natany diz que clientela aumentou a partir dos novos serviços oferecidos pela loja (foto: Weber Sian / A Cidade)

 

Chá de lingerie faz loja ‘bombar’

Assim que a Lolita Boutique entrou sob novo comando, há cinco anos, a proprietária que assumiu o negócio, Natália Fernandes, decidiu ampliar os serviços prestados pela loja de lingerie sensual. E a ampliação vem dando mais do que certo.

A gerente Natany Fernandes relembra que, em 2012, a boutique começou a oferecer o chá de lingerie, espaço privativo da loja onde são recebidas até 30 convidadas das noivas. “A loja oferece toda a estrutura, desde convite virtual, garçom, lista de presentes”, enumera.

Ela estima que, entre o total de convidadas nos chás, pelo menos metade acaba virando cliente da loja. A Lolita promove atualmente de seis a oito chás de lingerie ao mês, em horários após o expediente. Educadora sexual, a dona da loja ministra um workshop de sedução às convidadas durante os eventos.

Outro novo serviço implantado pela boutique está prestes a completar um ano, no próximo mês. Único bar exclusivo para mulheres de Ribeirão, o Botequim da Lolita abre mensalmente para clientes convidadas em horário noturno, sempre às quartas-feiras (dia do futebol).

Por R$ 60 elas têm direito a open bar com cinco tipos de drinques alcoólicos e finger food à vontade – toda a equipe (DJ, bargirl, fotógrafa e garçonete) é feminina. “São 40 mulheres em cada encontro e a agenda já está fechada até dezembro. O foco é fidelizar as clientes, oferecendo muita diversão”, conclui a gerente da loja.

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Diego calcula que os franqueados que também vendem salgados aumentam faturamento em até 20% (foto: Divulgação)

 

Franquia investe em salgados e fatura mais

Conhecida pelos seus bolos, a rede de franquias Sodiê entrou em um novo ramo, o de salgadinhos. Desde outubro de 2016, as três lojas de Ribeirão já vendem coxinhas, empadas, esfirras, quibes, quiches, rissoles e pastéis assados.

As três lojas da franquia em Ribeirão Preto (Jardim Sumaré, Alto da Boa Vista e Campos Elíseos) fizeram parte do plano-piloto de expansão. Ao todo, 290 lojas no País passarão a vender salgados. “Faltam ainda umas 20 lojas no Brasil, até o final deste mês todas estarão vendendo”, disse Diego Rabaneda, responsável pela Sodiê Salgados.

O investimento foi de R$ 4 milhões na nova fábrica de salgados localizada em Boituva (SP), com 1,2 mil m². Por dia, já são produzidas 70 mil unidades. “Nos franqueados que vendem salgados registramos uma alta no faturamento de 8% a 20%”, afirmou. Segundo Diego, a ideia de ampliar o mix de produtos surgiu da necessidade dos clientes. 

“Um cliente ou alguém que o acompanhava acabavam pedindo os salgados. Como nos reinventamos sempre, decidimos investir. Daqui a dois anos, queremos começar a oferecer tortas doces, panetones, chocotones e uma linha fina de chocolates”, anunciou. 

ANÁLISE - Nada de agir por impulso

“Ao adicionar um produto ou serviço, nada de agir por impulso. Assim, o empresário poderá minimizar os riscos e correr um risco calculado. Ele tem que saber quanto vai gastar a mais, se tem esse dinheiro, se terá de emprestar, quanto vai aumentar o preço fixo e qual será o novo ponto de equilíbrio, ou seja, quanto precisará vender para cobrir os custos fixos e ainda sobrar um dinheiro. O empresário pode ainda ampliar o negócio para não perder a clientela atual. Deve-se levar em conta, antes da ampliação, se o mercado realmente quer isso e se o novo serviço vai mudar a imagem da empresa para melhor ou para pior. Vi em Ribeirão, por exemplo, um açougue que começou a vender sapatos em um bairro. Parece desespero e essa prática pode inclusive piorar a imagem da empresa, já que o recomendado é que sejam vendidos produtos complementares em caso de ampliação.” Luciano Nicoletti Junior, 
Docente de gestão e negócios do Senac
A Cidade

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