Saiba como fugir da bola de neve das dívidas pessoais

Em caso de dívidas, especialistas apontam as melhores opções para quitá-las e fugir das contas que não acabam

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    • Lucas Catanho

Renegociação: O pintor industrial Maurício José Delgado vai tentar renegociar as suas dívidas (Foto: Weber Sian / A Cidade)

Em cinco anos, as taxas de juros dos empréstimos para pessoas físicas dobraram. Foi o caso, por exemplo, do cheque especial, que em março de 2013 tinha uma taxa acumulada de 144% nos últimos 12 meses. Em junho deste ano, o acumulado referente ao mesmo período saltou para 288%.  

Em segundo lugar, ficou a taxa de juros do cartão de crédito em março de 2013, o índice acumulado em 12 meses era de 192%. No mês passado, o acumulado do ano saltou para 286%, alta de 49%.  

Apesar desse cenário, as taxas dos empréstimos caíram discretamente no último ano, forçadas pela queda da Selic (taxa básica de juros da economia) era de 0,80% ao mês em junho de 2017 e caiu para 0,51% no mês passado. No entanto, a queda dos juros cobrados para quem empresta dinheiro foi desproporcional e não acompanhou a Selic (leia mais ao lado).

Negociação  

O segurança Gilberto Yamada dos Santos, 36, pretende, a partir do mês que vem, procurar os credores para acertar uma dívida a bancos relativa ao cheque especial, ao cartão de crédito e ao pagamento do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).  

"Pedi demissão do trabalho há um ano e meio e não consegui me recolocar com o mesmo salário e benefícios, então a situação piorou. Mas já estou me recuperando e começando a me organizar para pagar as dívidas", declarou.  

O pintor industrial Maurício José Delgado, 40, iria procurar ontem a agência bancária para tentar renegociar a dívida do cheque especial que contraiu há cinco meses. "Vou fazer de tudo para fazer o pagamento à vista", declarou.

Dicas 

Especialistas em finanças destacam que o planejamento é palavra de ordem para controlar os gastos e prevenir o endividamento. Há, porém, opções pontuais inesperadas, como doenças na família e desemprego.   

"Ter uma reserva para emergência para não ser pego de surpresa é o ideal, mas dificilmente o que ganha menos consegue ter uma poupança para ser usada em um momento de transição", destacou o economista e consultor financeiro José Rita Moreira (leia mais ao lado).  

"Antes da compra, o consumidor deve avaliar se realmente precisa daquilo", acrescenta a economista Maria Angélica Luqueze.
 
Livre-se das dívidas mais caras 

O economista e consultor financeiro José Rita Moreira orienta que, em caso de dívidas, deve-se calcular o tamanho do débito e focar primeiro os mais caros a se pagar cartão de crédito e cheque especial, que cobram quase 300% de juros em um ano.  

"É essencial haver uma mudança de comportamento para ser feita economia em tudo que for possível e tentar negociar com os credores a juros menores", declarou.  

Caso o devedor não tenha uma reserva, uma das alternativas é fazer empréstimo pessoal nos bancos a taxa de juros ao mês dessa modalidade é de 4%, três vezes menor que a cobrada dos devedores no cheque especial ou no cartão de crédito (leia mais no quadro). "Com isso pode-se trocar uma dívida cara por uma mais barata", declarou.  

Moreira defende, portanto, que o devedor faça um planejamento de forma que consiga pagar o empréstimo e, com isso, evitar uma bola de neve.   

Em agosto: Gilberto Santos vai procurar os credores para acertar dívidas com bancos, cartão e Fies (Foto: Weber Sian / A Cidade)

Se for adquirir crédito 

- Pesquise sempre a taxa de juros e demais acréscimos

- Evite comprometer demasiadamente seu orçamento com dívidas

- Evite empréstimos de longo prazo que embutem custos maiores

- Evite entrar no rotativo do cartão de crédito e do cheque especial modalidades possuem as maiores taxas de juros

- O cheque especial não é renda e deve ser utilizado por um período curto e emergencial

- Se tiver necessidade de usar este limite por um período maior, procure a sua instituição financeira e faça um empréstimo pessoal (que tem custos menores) para liquidar o cheque especial

- Existem linhas de crédito mais baratas, como o microcrédito que tem taxa de 2% ao mês, penhor de joias da Caixa Econômica Federal e crédito consignado com desconto em folha  
 
Dicas para se livrar das dívidas 
 
- Identifique todas as suas dívidas

- Tendo recursos aplicados, resgate-os para usar nesses pagamentos, mesmo
que sejam parciais

- Tendo bens, desfaça-se deles para fazer dinheiro e pagar as dívidas

- Reduza suas despesas mensais (comprometa sua família nesta missão)

- Analise sua capacidade de pagamento para propor acordo a seus credores
(qual o valor mensal de que pode dispor?)

- Estabeleça prioridades, ou seja, quais despesas devo pagar ou renegociar
primeiro e foque as mais caras e as que geram penalidades

- Se for possível, peça um empréstimo mais barato para liquidar as dívidas mais caras

- Não sendo possível, renegocie com seus credores condições de pagamento que
possa cumprir

- É importante propor algo que consiga cumprir para não ficar novamente inadimplente após algum tempo

- O ideal é negociar antes de entrar nas listas de proteção ao crédito. Entretanto, só deve fazer isso caso a condição da renegociação seja boa para você, como prestações baixas e reduções dos juros

- Mude seus hábitos de gastos para não voltar novamente à mesma situação não gastar mais de que ganha, não usar cheque especial e rotativo do cartão de crédito 
 
(Fonte: Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) e A Cidade 

Queda da Selic reduziu juros dos empréstimos

A queda da Selic foi a responsável pela redução das taxas de juros dos empréstimos para pessoa física no último ano. Em junho de 2017 estava em 0,80% e, no mês passado, ficou em 0,51%, uma queda de 36%.  

No entanto, a redução dos juros cobrados pelos empréstimos não acompanhou a queda e ficou bem abaixo das taxas da Selic.
No último ano, as taxas mensais de juros do cartão de crédito caíram 11% de 13,46% para 11,93%. No caso do empréstimo pessoal, a redução foi ainda menor, de 7% - era 4,31% em junho de 2017 e caiu para 4% no mês passado.  

"Se os juros básicos caíram, os juros dos empréstimos deveriam cair na mesma razão, mas há fatores que impedem isso", explica a economista Maria Angélica Luqueze. Ela cita como entraves para haver esse equilíbrio a falta de concorrência frente aos bancos, a alta inadimplência dos credores, além da falta de garantias e de segurança jurídica para receber dos devedores.


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